Apesar de atualizado, o relatório da Central Intelligence Agency (CIA), a Agência Central de Inteligência dos EUA sobre a Bolívia, não cita explicitamente uma linha sequer sobre os esforços que tem realizado para manter de pé os mesmos ideais que derrubaram o regime democrático brasileiro, em 1964, e garantiram a presença do general Augusto Pinochet à frente do governo chileno por duas décadas. Mas, segundo reportagem publicada na edição deste domingo do jornal Brasil de Fato, a CIA "prepara terreno para rotular de terroristas os movimentos sociais do continente sul-americano que dão suporte aos seus presidentes eleitos que - ao menos no discurso - se proclamam de esquerda.
"É possível dizer que as conclusões da CIA - um órgão do governo estadunidense acostumado a derrubar governos sob o pretexto de serem ditaduras militares ou governos comunistas - permitiriam aos EUA invadir os países da América do Sul que insistirem em manter relações amistosas com tais movimentos ou, numa fase preliminar, pressioná-los com sanções econômicas", diz o texto.
Ainda segundo a matéria, "a partir do instante em que estas organizações passam a ser tratadas como 'grupos terroristas', os seus recursos financeiros, por tabela, também estariam sujeitos a ser bloqueados em nível mundial. Em 2003, por exemplo, algumas entidades de apoio à libertação da Palestina espalhadas pela Suíça, França, Grã-Bretanha, Áustria e Líbano tiveram suas contas rastreadas e bloqueadas por associação ao terrorismo".
De acordo com pesquisa do Brasil de Fato, "este procedimento está mais detalhado na página da internet do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob o tópico Contendo o Terrorismo no Front Econômico.
Leia o restante da matéria:
"MST E Cocaleros
"O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os grupos cocaleros da Bolívia, por exemplo, já aparecem nominalmente no anuário mundial da CIA de 2005 no mesmo espaço reservado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) e ao Sendero Luminoso. Na lista feita pelo Departamento de Estado, apenas estes dois últimos são tratados abertamente como grupos terroristas. No entanto, o relatório de 2003 das ações terroristas no mundo já inclui ações do movimento indígena boliviano.
"A CIA iguala as organizações citadas porque o seu anuário não possui uma entrada específica que identifica quais grupos são "terroristas". Em vez disso, a agência de inteligência coloca todas organizações em um mesmo saco denominado "grupos de pressão política", que atuam fora da ordem institucional, mas podem tumultuá-la.
"Nessa mesma categoria, estão: os rastafaris da Jamaica, os estudantes do Chile, os refugiados que vivem na Alemanha, o movimento dos camponeses do Haiti, a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), os grupos de direitos humanos do Quênia, a Igreja Católica, entre outros.
"Quintal de casa
"O fato é que os EUA - recentemente mais preocupados com o Oriente Médio - poderão ter no "seu quintal", ao final das eleições previstas para 2006 na América do Sul, 7 dos 12 países do continente se firmando em tons mais avermelhados de "esquerdização" (veja mapa nesta página). Isso, sem contabilizar países como a Nicarágua (na América Central) e o México (na América do Norte), que também têm grandes chances de mudar de cor neste ano.
Um cenário destes faz com que o relatório aprovado pela CPMI da Terra em novembro de 2005 - que considera a ocupação de terra um ato terrorista - possa ser usado pelos EUA como prerrogativa jurídica para considerar o MST um grupo terrorista, se esta nova configuração regional exigir.
"Em relatórios oficiais, o Depa