Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

CIA e FBI falharam, mas o "foco" da Casa Branca não era a Al Qaeda, era o Iraque

Quinta, 22 de Julho de 2004 às 10:33, por: CdB

O relatório da Comissão do Senado para averiguar as falhas dos serviços secretos americanos no episódio de 11 de setembro mostra uma série de erros cometidos por esses serviços.

Mas o relatório é feito por congressistas que estão eufóricos em ano de eleição. Republicanos e democratas estão com suas cabeças na mira da guilhotina até 2 de novembro.

Tanto que no final, tudo acabou saindo "mezo, mezo", a balança pendeu tanto para o lado de Clinton quanto para o lado de Bush.

Há realmente uma falha de comunicação entre a CIA, o FBI e os militares. Há principalmente uma má vontade de colaboração entre os três. Muito do que a CIA conhece não é transmitido ao FBI e vice-versa. Os dois não passam nada para os militares e os militares não gostam de receber ordem dos civis. A competição é acirrada.

Para piorar a situação, temos uma quarta "pessoa" na história, a Casa Branca. Que também não fica sabendo de muita coisa, só quando tem interesse de saber e então "aperta" os serviços de informações.

Em algum lugar na CIA havia a informação de que dois conhecidos terroristas da Al Qaeda tinham ido para os Estados Unidos e em algum lugar no FBI havia a informação de que coisas estranhas estavam acontecendo em escalas de vôos.

A Agência de Inteligência e o Serviço Federal tinham informações específicas sobre indivíduos terroristas, a partir das quais poderia ter sido deduzido o que estava por acontecer.

A Casa Branca não tinha nenhuma das informações porque não eram prioridades do governo. É impossível eximir dela o "foco" tratado em cada administração sobre o problema da Segurança.

O vice-presidente Dick Cheney por várias vezes visitou a CIA pessoalmente. A maior parte das visitas focalizava o Iraque. Apesar dos relatórios recentemente entregues trazerem vários avisos sobre a Al Qaeda.

Colin Powel em sua primeira reunião com membros do Conselho de Segurança Nacional, graduados funcionários do antiterrorismo da CIA, pessoal do FBI e com os militares, ficou surpreso com o fato da unanimidade da alta importância da Al Qaeda.

Richard Clarke, o responsável direto do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, relata a reação de Condolezza Rice quando passou as informações sobre a Al Qaeda, segundo ele, " sua expressão facial me deu a impressão de que jamais ouvira aquele nome antes".

Tanto Donald Ramsfeld, como Condolezza Rice, Colin Powel e Paulo Wolfowitz, os secretários diretos de Bush para assuntos de segurança, foram criados no ambiente da Guerra Fria. Na lista de prioridades estavam o Tratado do Míssil Antibalístico, o acordo ambiental de Kyoto (que posteriormente não foi assinado) e o Iraque. Não havia tempo para reuniões sobre o terrorismo.

Quando foram sugeridas medidas para lidar com a Al Qaeda, Paul Wolfowitz, assessor de defesa de Donald Rumsfeld, disse não compreender porque insistir tanto nesse "homem Bin Laden" e disse que o terrorismo no Iraque era muito mais importante. Apesar dos relatórios da CIA e do FBI mostrarem não haver nenhuma atividade terrorista no Iraque desde 1993.

O fato mostra que a administração Bush não estava interessada em Osama Bin Laden e até desconhecia o seu potencial, desprezando os avisos dados.

Mais uma vez, a teoria dos "velhacos" da CIA se confirma. Os presidentes fazem o que bem querem, entendem o que vêm dos Serviços Secretos do jeito que lhe servirem melhor e no final, os relatórios sempre acabam apontando falhas da CIA, do FBI ou dos militares. 

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