A CIA, a agência de inteligência norte-americana, cedeu à pressão do governo Bush para exagerar a ameaça representada pelas supostas armas de destruição em massa de Saddam Hussein, que serviram de motivação para a recente guerra no Iraque, disse um importante historiador após examinar os pronunciamentos públicos da entidade. - O que fica claro dos relatórios de inteligência é que até aproximadamente 1998 a CIA estava bastante confortável com suas avaliações a respeito do Iraque - disse John Prados na mais recente edição do Boletim dos Cientistas Atômicos. - Mas a partir desse momento a agência foi gradualmente cedendo ao peso das pressões para adotar visões alarmistas. A partir de meados de 2001, aumentou a pressa para fazer um julgamento contra o Iraque - afirmou Prados. Um porta-voz da CIA, Mark Mansfield, rejeitou essa conclusão, dizendo que "a noção de que nos curvamos e adotamos visões alarmistas é absurda". Passadas oito semanas do final da guerra, as tropas anglo-americanas que controlam o Iraque ainda não encontraram as armas químicas e biológicas que Londres e Washington acusavam Saddam de possuir. Prados é autor de 11 livros, entre eles "As Guerras Secretas dos Presidentes", sobre operações da CIA desde a Segunda Guerra Mundial. Em seu novo estudo, ele afirma que o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, não precisava ter criado uma equipe no Pentágono para buscar vínculos entre grupos terroristas e o Iraque. "George Tenet, (diretor) da CIA já havia sido caçado" para montar as acusações, segundo ele. Tenet negou as acusações na semana passada. - A integridade do nosso processo foi mantida integralmente, e qualquer sugestão em contrário é simplesmente errada - afirmou antes da divulgação de um relatório da CIA sobre as informações coletadas a respeito do Iraque no período que antecedeu à guerra. Em uma carta de 7 de outubro de 2002 enviada à Comissão de Inteligência do Senado, Tenet disse que havia chances "muito altas, na minha opinião", de que Saddam usasse armas químicas se fosse atacado. Isso não ocorreu durante a guerra. Na opinião de Mel Goodman, professor da Escola Nacional de Guerra do Pentágono, muitas das informações obtidas pelos EUA antes da guerra eram frágeis, mas a intenção do governo era clara. - Negar que tenha havido pressão sobre a comunidade de inteligência é simplesmente absurdo - disse Goodman, que deixou o cargo de analista da CIA em 1990, sob suspeita de distorcer informações, e hoje dirige um projeto sobre a reforma do sistema de espionagem do país. Em um relatório sigiloso emitido em setembro de 2002, a Agência de Inteligência da Defesa disse não dispor de "informações confiáveis" que permitissem concluir a existência de armas químicas no Iraque, disse uma fonte nesta sexta-feira.
CIA aceitou exagerar acusações contra Saddam, diz especialista
Sexta, 06 de Junho de 2003 às 16:46, por: CdB