Rio de Janeiro, 01 de Outubro de 2026

Chuvas no Norte e seca no Centro-Oeste alertam cientistas

Enquanto em Bacabal, a 230 quilômetros de São Luís, as águas invadem casas e deixam centenas de desabrigados, no Pantanal matogrossense é a seca que preocupa os meteorologistas. A região vive a pior estiagem em 35 anos. (Leia Mais)

Sábado, 09 de Maio de 2009 às 10:47, por: CdB

Os desabrigados pelas chuvas no município de Bacabal, a 230 quilômetros de São Luís, no Maranhão, enfrentam agora as dificuldades nos abrigos cedidos pela prefeitura. Num imóvel onde funcionou uma maternidade, atualmente desativada, cerca de oitenta famílias dividem apenas um banheiro.

– A situação está muito difícil – reclamou a Maria do Socorro, que está no local há um mês acompanhada dos cinco filhos e o marido.

De acordo com a Defesa Civil, em Bacabal, cerca de 4 mil pessoas estão desabrigadas.

– Isso é uma humilhação muito grande – disse Raimundo da Silva.

Para minimizar as consequências da falta de higiene, enfermeiras do município distribuem hipoclorito se sódio para tratar a água.

Neste sábado, pela manhã, as famílias de desabrigados formaram uma grande fila para receber as cestas básicas distribuídas pela prefeitura, Defesa Civil e governo do estado. A maioria reclamou da demora na entrega dos mantimentos.

– A cesta chega em oito em oito dias e é pequena. Para quem tem família grande não dá – afirmou Francisca da Silva.

A maioria dos desabrigados tinha suas casas às margens do Rio Mearim. As moradias de taipa, construída à base de argila, foram destruídas pelas águas.

– Eu perdi tudo. Minha casa desabou completamente – disse Rosinete da Conceição Machado.

"Eles passam com as lanchas e as ondas acabam destruindo tudo", reclamou Dina Fernandes da Silva. Segundo ela, o próprio trabalho de resgate fez com que sua casa desmoronasse.

Seca no Pantanal

Enquanto no Norte as chuvas castigam o país, no Centro-Oeste a preocupação é com o Pantanal mato-grossense que, este ano, vive o período mais seco dos últimos 35 anos e as mudanças climáticas podem tornar este tipo de fenômeno mais recorrente nas próximas décadas. O alerta é do pesquisador da Embrapa Pantanal, Ivan Bergier, em entrevista a jornalistas, nesta manhã.

– Este ano será bastante atípico. Vai se realmente seco. Já temos detectados focos de incêndio e a incidência de queimadas deve ser alta até o fim do ano – afirmou Bergier.

Entre 1974 e 2008 o nível do Rio Paraguai se manteve sempre alto, na faixa entre 3 metros e 5 metros. Este a ano a projeção dos especialistas é de que fique abaixo dos 3 metros. A última seca prolongada na região ocorreu entre os anos de 1963 e 1973. Não é possível afirmar que vá se repetir um ciclo parecido. O prognóstico indica até um aumento de precipitação na região até 2050. Entretanto, também não permite descartar a preocupação com novas situações atípicas.

– Hoje estamos vendo um ano muito seco e daqui para frente é uma incógnita. Pode haver manutenção de níveis máximos, mas as mudanças climáticas podem ter outros efeitos aqui [no Pantanal] como o aumento da ocorrência de eventos extremos – disse.

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