A chuva intensa que cai na cidade não impediu nesta quarta-feira a realização de manifestação contra as demissões e pela redução da taxa básica de juros (Selic). Os manifestantes, que distribuíram panfletos na Central do Brasil e na Estação das Barcas, pretendem repetir o gesto na próxima quinta-feira, no Terminal Rodoviário de Niterói e, sexta-feira, na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda.
0 O trabalho é conjunto, e o interesse é comum - afirmou a diretora da Força Sindical no Rio de Janeiro, Vera Motta. Com a manifestação, as centrais "dizem não ao desemprego”, acrescentou José Carlos Moreira da Silva, também diretor da Força Sindical no estado. Segundo ele, os trabalhadores defendem o corte de “pelo menos” dois pontos percentuais na taxa de juros, que atualmente é de 13,75%, para garantir os empregos. Os trabalhadores aceitam a redução da jornada, mas sem redução salarial, acrescentou. “Esses seriam os dois grandes objetivos dessa manifestação.”
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) não participou da manifestação no Rio por discordar do processo de acordo iniciado pela Força Sindical com a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), após a crise financeira internacional. “São propostas diferentes em relação à questão da crise”, afirmou o presidente interino da CUT, Darby Igayara. Ele informou, porém, que a CUT também programou, para 11 de fevereiro, uma grande mobilização nacional contra as demissões e pela redução da taxa de juros.
Silva disse que a CUT também aceita a redução da jornada, mas sem diminuição de salários.
- A saída tem que ser construída, dialogada, negociada [com os empresários]. Não dá para passar trator, demitir todo mundo, até porque temos uma avaliação muito clara de que há muitas empresas surfando nessa onda. Tem crise? Então, vamos demitir, vamos arrochar salário. Não é por aí - enfatizou o sindicalista.
De acordo com ele, há muita empresa com gordura para queimar porque lucrou muito. Um exemplo disso seriam os bancos: “Banqueiro lucrou, lucrou. Não pode estar falando em demitir.”
A CUT/RJ vai encaminhar ofício também ao governo estadual para que este se manifeste sobre como vai contribuir para a geração de emprego e renda no estado, para evitar demissões. “É responsabilidade também do governo”. Darby Igayara afirmou que, assim, a CUT vai trabalhar a questão da crise e construir uma grande atividade no Rio de Janeiro.