Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Chuva não resolve falta de água no Cantareira em São Paulo

A chegada de uma nova frente fria deve provocar chuva, na próxima quarta-feira, na região do litoral e também no leste e sudeste do Estado de São Paulo.

Segunda, 11 de Agosto de 2014 às 11:47, por: CdB
faltadeagua.jpg
Eles reclamam de não terem sido informados sobre o desligamento da água e o governo de São Paulo nega que clientes da Sabesp sejam afetados por racionamento
A chegada de uma nova frente fria deve provocar chuva, na próxima quarta-feira, na região do litoral e também no leste e sudeste do Estado de São Paulo. Não deverão ser, no entanto, precipitações fortes, a ponto de aliviar o problema da crise hídrica paulista, com sucessivas baixas nos reservatórios, principalmente no Sistema Cantareira, hoje com quase metade do volume de água registrado em maio último. Segundo a meteorologista Helena Balbino, do Instituto Nacional de Meteorologia, a chuva seguida de queda na temperatura será passageira, com ocorrências apenas na quarta e na quinta-feira. “Estamos tendo a influência  da alta pressão atmosférica. O ar está descendo e impede a formação de nuvens”, explicou, justificando o predomínio da estiagem. Helena informou ainda que as áreas de instabilidade deverão atingir o Vale do Paraíba, o litoral, a capital paulista e localidades mais próximas. Nas regiões norte e noroeste, porém, o tempo vai continuar seco. Sem a ocorrência de chuva forte e com o consumo, o nível do Sistema Cantareira tem caído gradualmente, deixando crítica a situação do abastecimento para cerca de 9 milhões de pessoas na região metropolitana da capital e em parte do interior. De acordo com a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp), de domingo para esta segunda-feira o volume disponível diminuiu de 13,9% para 13,8%. O índice índica que a capacidade armazenada é praticamente a metade da registrada no último dia 16 de maio (26,7%), quando começou a ser bombeada a água abaixo da superfície onde era feita a captação. Naquele momento, a reserva útil estava em 8,2%. Com a soma de 182,5 bilhões, o volume armazenado atingiu em torno de 990 bilhões, volume apontado pela Sabesp como suficiente para garantir a distribuição até 2015. Na semana passada, o governador do estado, Geraldo Alckmin, voltou a argumentar que apesar de o Estado viver a pior seca em 84 anos, o racionamento estava descartado, mas a afirmativa é desmentida pela própria companhia estadual responsável pela distribuição de água. Pior seca São Paulo enfrenta sua pior seca em décadas e mais de 2 milhões de paulistas enfrentam o racionamento oficial de água - o equivalente a 1 em cada 20 habitantes do Estado mais populoso do país. Os habitantes convivem com interrupções diárias no abastecimento, que duram de quatro horas a dois dias seguidos, segundo balanço não oficial, realizado em 200 municípios que não são atendidos pela Sabesp. A empresa estadual é responsável por fornecer água a 27,7 milhões de pessoas em 364 cidades no Estado. Ela nega haver adotado rodízio de água em qualquer uma delas, inclusive na capital, embora moradores relatem interrupções no abastecimento principalmente à noite. Nos outros 281 municípios paulistas não abastecidos pela Sabesp, o fornecimento de água fica a cargo das próprias prefeituras ou de empresas por elas contratadas. Atualmente, o rodízio de água é adotado por 18 municípios paulistas. Entre eles, está o segundo maior do Estado - Guarulhos, na Grande São Paulo – onde 1,3 milhões de moradores passam um de cada dois dias sem água. Abastecida por um serviço municipal, o SAAE, a cidade foi uma das primeiras impactadas pela crise do sistema Cantareira, principal fonte de água da região metropolitana, que neste sábado tinha apenas 14,1% de sua capacidade de armazenamento.
Tags:
Edições digital e impressa