O transbordamento dos rios Mundaú e Paraíba já deixa dezenas de desabrigados e desalojados e 19 mortos em Alagoas, segundo os últimos dados divulgados pelo governo do Estado. Para piorar a situação, a expectativa do Centro de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas é que as chuvas se tornem mais severas na região a partir desta terça-feira.
O abastecimento de água e o funcionamento das linhas férreas também foram comprometidos. O governador Teotônio Vilela informou que 70% das linhas da Transnordestina foram destruídas e terão de ser refeitas.
Unidades de captação, tratamento e distribuição de água foram inundadas. Os municípios mais atingidos foram Palmeira dos Índios, Estrela de Alagoas, Minador do Negrão, Igaci, Quebrangulo, Capela, Ibateguara, Colônia Leopoldina, Novo Lino e Jacuípe. A Casal, companhia de saneamento do Estado, informou que os equipamentos danificados devem voltar a operar em 15 dias, mas o prazo para recuperação dos sistemas deve ser maior.
O governador Teotônio Villela decretou, neste domingo, estado de calamidade pública no Estado, intensificando o alerta sobre os 21 municípios atingidos. Até ontem, Villela havia decretado apenas estado de emergência em 17 municípios.
Dois hospitais de campanha devem ser montados em Jacuípe e Santana do Mundaú, dois dos municípios mais atingidos pela chuva, em Alagoas. Segundo nota publicada pela agência de notícias do governo estadual, nesses locais há "centenas de desaparecidos". Equipes de médicos e enfermeiros do Rio de Janeiro devem chegar a Alagoas nesta segunda-feira para trabalhar nas duas unidades.
No total, 21 municípios foram prejudicados e 15 estão em situação de calamidade pública. Segundo a agência de notícias estadual, existem cerca de 100 pessoas desaparecidas em Alagoas, a maior parte proveniente de comunidades quilombolas.
As chuvas e enchentes também atingem Pernambuco, onde 13 pessoas morreram. Segundo o último balanço da Defesa Civil Estadual, 53 municípios foram atingidos, com destaque para as cidades de Palmares e Barreiros.
Além disso, mais de 40 mil pessoas tiveram que deixar suas casas em todo o Estado devido aos temporais. Desse total, 24.331 estão desalojados --estão em casas de amigos e parentes-- e outras 17.779 pessoas estão desabrigadas, ou seja, dependem de abrigos públicos. Não há informações de desaparecidos.
O ministro das Cidades, Márcio Fortes, sobrevoou as áreas alagadas com os governadores dos dois Estados. Fortes prometeu que as vítimas das enchentes terão ajuda do ministério para construção de moradias por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.