Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Chuva é insuficiente para reverter estiagem no Sul

Segunda, 10 de Janeiro de 2005 às 17:25, por: CdB

A chuva que atingiu parte do norte do Rio Grande do Sul, nesta segunda-feira, não foi suficiente para minimizar os problemas causados pela seca que atinge a região. Os agricultores já começavam a fazer os cálculos dos prejuízos que sofrerão com a seca que já dura um mês no Estado e que já levou 99 municípios a decretarem situação de emergência. As precipitações não foram suficientes para reverter a estiagem e nem as perdas médias de 8% da safra de milho, correspondentes a cerca de R$ 135 milhões, e de 12% da produção mensal de leite, equivalentes a cerca de R$ 7,5 milhões.

Há perdas consideráveis, mas ainda não calculadas, nas lavouras de feijão. A soja não está com o desenvolvimento adequado para esta época, mas pode se recuperar se chover na segunda quinzena do mês, conforme previsão dos meteorologistas. Na região mais prejudicada pela seca, os municípios entre Passo Fundo e a divisa com Santa Catarina, no norte, mais da metade da safra de milho e de feijão está perdida.

Reunidos em Porto Alegre para avaliar a crise, os presidente de sindicatos vinculados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag) decidiram manter contato com o Banco do Brasil e o Ministério do Desenvolvimento Agrário para esclarecer como será feito o pagamento do seguro contratado quando o financiamento da lavoura foi liberado. "Para quem não fez o seguro, talvez tenhamos de pedir um bônus", prevê o presidente da Fetag, Ezídio Pinheiro.

Um levantamento feito pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro), indica que a produção esperada de milho em todo o Rio Grande do Sul era de 5 milhões de toneladas. O resultado não deve passar de 4,55 milhões de toneladas. As 450 mil toneladas perdidas correspondem a cerca de R$ 135 milhões, à cotação de R$ 300 a tonelada praticada na região de Passo Fundo.

O presidente da Associação Gaúcha de Laticinistas (AGL), Ernesto Krug, informa que a entrega de leite à indústria já caiu 12% neste mês, volume correspondente a 500 mil litros por dia. Vendendo 15 milhões de litros a menos em janeiro, o produtor deixará de faturar cerca de R$ 7,5 milhões. O consumidor talvez não venha a perceber a diferença, mas perderá uma vantagem que tinha nos verões anteriores. "Neste ano, com oferta menor nesta época de safra, não haverá a tradicional queda nos preços", acredita Krug.

Enquanto agricultores, sindicalistas e empresários vinculados ao agronegócio calculam as alterações da safra, as prefeituras seguem emitindo decretos de situação de emergência na esperança de terem facilidades para acessar programas de ajuda dos governos estadual e federal. Nesta segunda-feira foram emitidos 20 decretos. Entre os municípios que entraram para a lista estão Mato Castelhano, Bom Progresso, Campestre da Serra, Paverama e São Martinho.

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