Os prejuízos causados pelas chuvas sobre a agricultura irrigada, na região do Vale do São Francisco, onde fica a cidade de Petrolina (PE), visitada nesta quarta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda são incalculáveis. Mas há estimativas de que cerca de 90% da produção de uva e manga, neste primeiro semestre, tenha sido inviabilizada.
O vice-presidente da Associação dos Exportadores do Vale do São Francisco (Valexport), Aristeu Chaves, diz que nas áreas plantadas com uva no ano passado, em torno de 1,5 mil hectares, a perda será total e nos 15 mil hectares de áreas antigas grande parte da produção foi destruída. A situação é semelhante nos 40 mil hectares plantados com manga.
Em Petrolina, mesmo nas áreas onde as chuvas amenizaram, não há acesso ao campo. A cidade também ficou isolada do restante do estado, devido à interdição de trecho da BR-428. Os danos levantados, até agora, na cidade chegam a R$ 10 milhões e há cerca de 360 famílias desabrigadas.
"Há vinte anos nesta região, nunca tinha visto essa situação. A média anual de chuvas no Vale do São Francisco é de 350 milímetros e somente em janeiro choveu 700 milímetros'', diz Aristeu Chaves. Ele teme que os fruticultores não faturem neste semestre e, se produzirem demais no próximo, para compensar, enfrentem queda de preços. No calendário de exportações, o maior volume sai no segundo semestre, mais de 30% a 35% é produzido neste período.
O secretario de Produção Rural de Pernambuco, Gabriel Alves Maciel, diz que ainda não é possível quantificar as perdas agrícolas para o estado, mas regiões como o sertão do Araripe, onde inicia o calendário agrícola, metade da produção de milho e feijão está perdida. São em torno de 60 mil hectares, com as duas culturas associadas, e cerca de 40% já estavam plantados. No restante do sertão, o plantio começa em janeiro e parou com as chuvas.