Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Chuva castiga 40 cidades de Minas Gerais

Sexta, 16 de Janeiro de 2004 às 01:08, por: CdB

Um garoto de 4 anos de Juiz de Fora e um casal de Reduto - na Zona da Mata - morreram soterrados por barrancos, fez subir para 14 o número de mortes no Estado provocadas pelas chuvas, três a mais do que no mesmo período do ano passado. Em Juiz de Fora, a morte do menor Kilder Augusto Fernandes, na noite da última quarta-feira, eleva para cinco o número de óbitos na cidade em menos de uma semana.

De acordo com o balanço da Cedec, até às 18 horas da última quinta-feira era um total de 40 municípios atingidos com gravidade. Ao todo, 1.325 desabrigados e 7.349 desalojados, 43 pontes destruídas e 98 danificadas.

Seis municípios decretaram estado de calamidade pública: Caratinga, Piedade de Caratinga, Santa Rita de Minas, Santa Bárbara do Leste, Inhapim e Ubaporanga. Para os contribuintes dessas cidades, o governador Aécio Neves prorrogou para 2 de fevereiro o prazo para pagamento do ICMS e IPVA.

O governador também criou uma linha de crédito com o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), no valor de R$ 15 milhões, para atender empresas, comércios e serviços prejudicados com as chuvas.

Só para Caratinga serão necessários R$ 12 milhões para recuperar a cidade e mais R$ 18 milhões com o prejuízo do comércio.
 
- Estou rezando para São Pedro e achando, pelas informações que tenho, que já estamos no final do período mais intenso das chuvas - disse o governador, que recebeu ontem o prefeito de Caratinga, Ernani Campos Porto.

E a chuva continua castigando Juiz de Fora desde o início do ano. Só na madrugada de ontem a cidade registrou 50 ocorrências de deslizamentos de barranco, ameaças de desabamento e trincas e rachaduras em residências. Ao todo, 140 pessoas estão desalojadas e desabrigadas, levadas para um ginásio poliesportivo. Uma rede atacadista doou um caminhão com mais de 800 cestas básicas. As pessoas estão sendo vacinadas contra as doenças ocasionadas com as chuvas.

Na madrugada de quinta-feira, a água do Rio Paraibuna cobriu uma ponte de acesso à Região Norte de Juiz de Fora. O acesso ficou interditado. Mil funcionários da prefeitura foram para as ruas atender a população, que está temerosa de um possível rompimento da barragem Chapéu D'Uvas, que desde 6 de janeiro está fechada para controlar o escoamento de água.

A Companhia Municipal de Água (Cesama) disse que não há perigo. A barragem tem 41 metros de profundidade e o nível da água atinge 29 metros.

Na segunda-feira, o prefeito Tarcísio Delgado tem audiência com o governador Aécio Neves. Na quinta, por telefone, ele pediu ajuda ao secretário de governo, Danilo de Castro, em relação ao Ceresp de Juiz de Fora, presídio que está com os muros ameaçados de desabamento.

Em São Gonçalo do Rio Abaixo, distante 127 quilômetros de BH, uma ponte sobre o Rio São Gonçalo, na altura do KM 470 da BR-381, foi abalado e prejudicou o trânsito de carros de João Monlevade para a Capital.

Em Matias Barbosa, Zona da Mata, a situação é crítica. Parte da Região Central da cidade continuava alagada na tarde de ontem. O Córrego Matias Barbosa subiu 3 metros. No Bairro Nossa Senhora da Pena, toda a parte baixa estava submersa pelo Rio Paraibuna.
A última enchente como essa, segundo os moradores, aconteceu em 1966.

Os 164 desabrigados e 60 desalojadas estão em escolas públicas e casas de parentes. A Cedec encaminou para a cidade 420 telhas, 200 cobertores, 100 colchonetes, 100 cestas básicas e um rolo de lona plástica.

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