Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Chuchu ou ex-ministro da dengue?

Por Altamiro Borges - Perguntado qual seria o melhor adversário de Lula na disputa sucessória de outubro, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, saiu-se com uma boa: "Vai ser chuchu ou ex-ministro da dengue, pouco importa". A resposta irônica alfinetou os dois presidenciáveis do PSDB, principal partido da raivosa oposição liberal-conversadora no Brasil. (Leia Mais)

Quinta, 09 de Março de 2006 às 18:30, por: CdB

Perguntado qual seria o melhor adversário de Lula na disputa sucessória de outubro, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, saiu-se com uma boa:

- Vai ser chuchu ou ex-ministro da dengue, pouco importa.

A resposta irônica alfinetou os dois presidenciáveis do PSDB, principal partido da raivosa oposição liberal-conversadora no Brasil. Picolé de chuchu foi o apelido cunhado pelo jornalista José Simão para atazanar a vida do governador Geraldo Alckmin, conhecido por sua postura insossa e burocrática. A alcunha pegou e o tucano agora faz questão de aparecer degustando este legume sensabor e até anunciou o seu mote de campanha: "será um governo chuchuzinho". Deprimente! José Simão já avisou que vai cobrar royalties!

Já ex-ministro da dengue lembra a desastrosa ação do prefeito José Serra quando este foi titular da saúde de FHC. Em 1998, o governo zerou o investimento na área de saneamento, o que causou a propagação de várias doenças no país. Além disso, José Serra demitiu seis mil mata-mosquitos contratados para eliminar os focos do Aedes Aegypti. Dos R$ 81 milhões gastos em publicidade do seu ministério em 2001, apenas R$ 3 milhões foram utilizados em campanhas educativas de combate à doença. O resultado desta política criminosa se fez sentir no Rio de Janeiro que, entre janeiro e maio de 2002, registrou 207.521 casos da dengue e a morte de 63 pessoas. O epíteto de "ministro da dengue" é o que mais irrita este mal-humorado.

Até o momento o PSDB não definiu seu candidato. O partido está envolto numa guerra suja, rasteira, que ajuda a revelar o caráter elitista e cupulista dessa organização que se diz socialdemocrata. O ninho tucano virou carniça de urubus! Uma "santíssima trindade" foi imposta para decidir, nos bastidores, o postulante. As desprezadas bases chiaram: "Nem a escolha do papa é tão centralizada", criticou o governador Cássio Cunha Lima. "Jamais pensei que o PSDB se prestaria a um papel desses. Isso é autofagia", desabafou o deputado Anivaldo Vale. Até recentemente assanhado com a perspectiva da revanche, agora o partido está fraturado e já prevê uma disputa acirrada - seja com o picolé de chuchu ou com o ex-ministro da dengue!

Pontos débeis

Baixada a poeira da cruzada hipócrita da direita contra a corrupção e diante de um governo que retomou a iniciativa, a oposição liberal-conservadora sabe que não está com essa bola toda, que ela foi inflada pela mídia. Num clima de maior racionalidade, ela está consciente de que seus inúmeros pontos débeis serão explorados na campanha. O que surge de forma mais impressionante é a rejeição ao ex-presidente FHC. O povo não tem saudades do seu triste reinado; ele é detestado pela sociedade. Várias pesquisas qualitativas revelam suas notas baixíssimas, beirando o zero. Tanto que os dois presidenciáveis tucanos já sinalizaram que gostariam de se afastar da péssima imagem do ex-presidente, como se fosse uma ave de mau agouro!

A oposição direitista, este condomínio que agrega os neoliberais do PDSB e os oligarcas do PFL, também teme as comparações entre as gestões de FHC e de Lula. Em todos os quesitos, o reinado tucano perde de lavada. No que se refere às relações democráticas com a sociedade, o governo anterior ficou marcado pelo uso de tropas do exército contra a greve dos petroleiros, pela criminalização do MST, pela inexistência de canais de negociação com o funcionalismo e pelo desrespeito aos setores críticos da intelectualidade. Já o governo Lula adota postura bem distinta, estimulando fóruns de participação da sociedade, retomando o diálogo com o sindicalismo e prestigiando o MST - para desespero das elites! "Não há repressão policial aos movimentos sociais neste governo", salienta o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos.

Quanto às demandas sociais, as diferenças são ainda mais abissais. FHC reduziu os investimentos nestas áreas, como ficou provado no episódio da epidemia de dengue. Durante seu t

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