Rio de Janeiro, 15 de Outubro de 2026

Christie's e Sotheby's amargam a crise no mercado de arte

As vendas de obras de arte com valores inferiores às previstas e lotes que ficaram no chão mostraram, esta semana, que as duas grandes casas de leilões britânicas, Christie's e Sotheby's, não são imunes à crise financeira mundial. (Leia Mais)

Sexta, 24 de Outubro de 2008 às 09:21, por: CdB

As vendas de obras de arte com valores inferiores às previstas e lotes que ficaram no chão mostraram, esta semana, que as duas grandes casas de leilões britânicas, Christie's e Sotheby's, não são imunes à crise financeira mundial. A Sotheby's, que se destacou recentemente por ter vendido 218 obras do artista britânico Damien Hirst por 142 milhões de euros, mais 60 do que era previsto, anunciou ter atingido segunda-feira apenas 57 milhões de euros num leilão em que a previsão mínima era de 70 milhões.

Dias antes, o leiloeiro vendeu uma série de conhecidos Skulls (Crânios) do artista pop Andy Warhol, obtendo apenas 28 milhões de euros dos 40 milhões esperados. A Christie's, por sua vez, não teve melhor sorte no domingo, quando o leilão realizado em Londres vendeu 26 das 47 obras de arte disponíveis, e um raro retrato de Francis Bacon pintado por Lucien Freud foi vendido por cerca de 7 milhões de euros, um pouco abaixo da expectativa, próxima dos 9 milhões.

Os leiloeiros britânicos, porém, recusam-se a ver nestes resultados uma quebra do mercado de arte, que tem vivido uma grande expansão nos últimos anos. Cheyenne Westphal, responsável pela área da arte contemporânea na Sotheby's Europe, explicou que os valores das vendas do leilão de segunda-feira resultam da diferença entre a situação atual e as estimativas feitas antes da crise financeira, e que, não obstante, a casa estava "satisfeita" com os resultados.

Na Christie's, o diretor-geral, Ed Dolman, reconheceu que o leilão de domingo não teve o mesmo sucesso que o do ano passado, em que bateram recordes.

– Talvez seja uma correção de rumo em relação às temporadas passadas – disse, em entrevista ao jornal londrino The Guardian, admitindo que a casa vive um "otimismo prudente".

Dolman ressalvou, ainda, que "as turbulências não afetaram" o mercado da mesma forma como os outros. Ele sublinhou que a quantidade "surpreendente" de dinheiro que circulou no mercado nos últimos dias, resultado da chegada de "novos compradores", nomeadamente colecionadores da Rússia e do Qatar.

A imprensa britânica, porém, noticia os fatos em outro tom. Em uma de suas edições desta semana, o Daily Telegraph noticiou que a "Sotheby´s é a mais recente vítima da crise financeira", e o The Guardian escreveu que "o boom do mercado da arte contemporânea chega lentamente ao seu fim".

"Há um enorme contraste em relação a 2007, quando os recordes se sucediam nas salas de leilões" de arte contemporânea, acrescenta o periódico. Na imprensa da especialidade, o The Arts Newspaper também estima que os ventos mudaram de forma significativa porque, como mostrou a Frieze, feira de arte contemporânea realizada em Londres no último fim-de-semana, "o ritmo de vendas baixou, os colecionadores preferem guardar o dinheiro, e evitam compras impulsivas".

Tags:
Edições digital e impressa