Sérgio Guerra Será que é isso mesmo? Depois de o PSDB perder as três últimas eleições presidenciais, Sérgio Guerra, presidente do partido, anunciou a criação de um núcleo de marketing. "Nós erramos na comunicação", admitiu.
Com a medida, os tucanos voltaram a trabalhar com um antigo marqueteiro da casa, Antônio Lavareda, substituindo o preferido de José Serra, Luiz Gonzalez. Por trás da mudança está a conclusão nas esferas mais altas do PSDB de que, nos últimos anos, o partido estaria com a sua comunicação "errática".
Para quem não o conhece, Lavareda defende teses, no mínimo, inusitadas, como o monitoramento neurológico de grupos de eleitores para conhecer suas aspirações. Não é piada. No Congresso Latino Americano de Opinião Pública, mês passado, ele defendeu publicamente o uso dos fundamentos da neurociência na política. Entre eles, o uso de máquinas para monitorar a sua frequência cardíaca e respiratória. Outros recursos são os capacetes para registros eletroencefalográficos das ondas beta e alfa dos sistemas laterais do cérebro, além do rastreamento do movimento ocular. Um aparato incrível para se conhecer o que pensa e sente o eleitor...
Imagem unificada
Mas, voltando ao núcleo de marketing do PSDB. Um dos seus objetivos é unificar ações nos oito Estados que governam, de forma a passar ao eleitorado uma imagem única do partido. A necessidade de criação desse núcleo foi defendida por FHC no famoso artigo em que pregou aos tucanos que se voltassem para as classes médias.
O moral dessa história eu tomo emprestado do velho Chacrinha: quem não se comunica se estrumbica. O problema é quando não se tem o que comunicar. É o que ocorre com os tucanos. Falta projeto, sonhos e esperança ao PSDB. Serra só fez propaganda na prefeitura e no governo do Estado. Idem, Aécio Neves. Então, essa história toda de erro de comunicação é chororô de derrotado.
Foto: José Cruz/ ABr