Pelo menos 150 pessoas morreram e outras mil ficaram feridas no choque de três trens de passageiros no sul do Paquistão, no mais grave acidente ferroviário no país nos últimos 10 anos, anunciaram as autoridades locais.
O acidente aconteceu às 4h (20h de Brasília) na estação de Sarhad, perto da pequena cidade de Ghotki, 400 km ao norteste de Karachi, na grande linha ferroviária entre as maiores cidades do Paquistão, Karachi e Lahore.
- É uma cena horrível. Há corpos por todas as partes, as pessoas choram, pais procuram os filhos, mulheres procuram os maridos - relatou uma testemunha em Sarhad.
- No momento, há cerca de 150 mortos - informou Nazir Ahmed, superintendente regional da Pakistan Railways, destacando que os trabalhos de resgate prosseguem. Mais cedo, a TV estatal paquistanesa PTV havia noticiado entre 200 e 300 mortos no acidente.
- Há informações sobre entre 200 e 300 corpos no local da colisão disse à <i>TV Rana Nasrullah</i>, um oficial da polícia encarregado da estação de Ghotki.
O chefe da polícia local, Agha Mohammad Tahir, informou a morte de 125 pessoas e mais de mil feridos no acidente.
- Estou no local, há pelo menos 125 pessoas mortas e mais de mil feridos.
O Expresso de Quetta estava parado na estação, por problemas técnicos, quando o Expresso de Karachi bateu na parte traseira do primeiro.
O acidente projetou os vagões para uma via lateral, no momento em que passava um terceiro trem, o Expresso de Tezgam, explicou Shakeel Durrani, presidente da companhia ferroviária pública Pakistan Railways.
Segundo Junaid Qureshi, alto funcionário do departamento de ferrovias, um problema em um sinal luminoso teria sido a causa do acidente.
A luz verde dada ao Expresso de Quetta, que entrou na estação para reparar um problema técnico, foi mal interpretada pelo maquinista do Expresso de Karachi.
- O maquinista do Expresso de Karachi pensou que o sinal o autorizava a passar e se chocou com a parte traseira do Expresso de Quetta.
Cinco horas depois do acidente, centenas de passageiros continuavam presos às ferragens dos vagões.
O porta-voz das Forças Armadas paquistanesas, o general Shaukat Sultan, informou que o exército foi mobilizado para participar na ajuda às vítimas, em particular com os médicos militares.
O presidente Pervez Musharraf e o primeiro-ministro Shaukat Aziz discursaram na televisão para apresentar suas condolências aos parentes das vítimas e anunciaram uma "profunda investigação" sobre o acidente.
Em 1991, Ghotki já havia sido cenário de um acidente entre um trem de passageiros e outro de carga, provocou 50 mortes, segundo as autoridades, e entre 100 e 200 segundo a imprensa local.
Um ano antes, mais de 350 pessoas morreram em Sangi, ao norte de Karachi, na colisão de dois trens.