Como já foi dito, a Europa só conheceu o chocolate após a descoberta das Américas. Ou seja, o produto que é uma das vitrines do Piemonte (nutella), da Bélgica, da Suíça, é relativamente novo, pois integra a dieta desses países há no máximo de 500 anos. Mas o livre consumo de um simples chocolate foi objeto de discussão durante muitos séculos, principalmente nos países católicos.
Em Portugal, Espanha, França, Itália (estados que a compunham) havia, no passado, verdadeira barreira eclesiástica acerca do o consumo do chocolate. Tudo em razão do jejum, que, antigamente, tomava grande parte do ano calendário. O tema da discussão era se o chocolate era uma bebida ou um alimento, ou em outras palavras, se servia para matar a sede ou nutria o corpo. Se fosse alimento os católicos não poderiam toma-lo, na quaresma, no lapso da noite até a comunhão etc.
A discussão era a mesma acerca do vinho. O embate se dava principalmente entre jesuítas e os puritanos que, afinal, sempre foram “adversários”. Os jesuítas, que na realidade, comerciavam o chocolate das Américas, opinavam que o consumo de chocolate não rompia o jejum eclesiástico. Depois de quase dois séculos e meio de discussões, os papas Clemente VII, Paulo V, Pío V, Urbano VIII, Clemente XI e Benedicto XIV opinaram no sentido de que o chocolate não rompia o jejum e, dessa forma, pacificou-se a questão.
Contudo, é bom que se diga que os mais ortodoxos continuaram a proibir o chocolate durante o jejum, calcados naquele mesmo argumento de seria um alimento, uma vez que os homens poderiam viver muito tempo com a sua ingestão. Diziam ainda que o chocolate era afrodisíaco o que justificava ainda mais a incompatibilidade com o jejum eclesiástico.
O fato é que independente da época o chocolate sempre foi uma alimento que interessa e é muito apreciado pelo homem, alguns dizem que é excitante, outros que vicia e, nos dias de hoje, que é altamente calórico. Na dose certa é uma alimento muito importante na composição de um cardápio.
Pensando nisso, essa semana, vou passar uma receita tradicional de massa italiana que leva chocolate na sua composição.
Receita da Semana - 04 porções
Ingredientes:
Para a massa:
Ovos inteiros (2 + 1 gema)
Farinha especial 400 g
Para o recheio:
Espinafres 500 g
Chocolate de cobertura 50 g
Uva passa 50 g
Frutas cristalizada em cubinhos 50 g
cebola picada 40 g
Ovos 3
Canela em pó 10 g
Ricota 300 g
Pão preto amanhecido 100 g
Sal e pimenta q.b.
Para condimentar:
Manteiga 30 g
Ricota defumada curada q.b.
Procedimento:
Preparar a massa e deixa-la descansar em lugar fresco e seco.
Deixar de molho a uva passa em água fria por duas horas. Cozinhar os espinafres, refogando-os com a cebola, sal e pimenta. Deixa-los esfriar, em seguida cortá-los em pedacinhos.
Amalgamar os espinafres com a ricota peneirada, os ovos, todos os ingredientes restantes, com exceção do pão preto, que deverá ser adicionado por último, esfarelado e em quantidade tal que deixe o recheio seco, evitando assim de deixar a massa excessivamente úmida.
Rechear a folha de massa e formar ravioles médio-grandes. Cozinhar por 4-5 minutos, em seguida servir com a ricota defumada ralada e a manteiga bem quente, mas não dourada.
A dificuldade desta massa está no equilíbrio do recheio. Assim, não coloquem todos os ingredientes de uma vez. Coloque aos poucos e vá experimentando. O importante e mais difícil é como disse conseguir o equilíbrio, nem o doce nem o salgado devem estar muito pronunciado. Tenho certeza que o resultado será surpreendente. E da segunda vez que executarem a receita perceberão que ficará ainda melhor.
Até semana que vem.
Flavio Vitari é chefe-de-cozinha e colunista do Correio do Brasil, sempre às segundas-feiras.