O presidente da França, Jacques Chirac, nomeou nesta terça-feira seu fiel aliado Dominique de Villepin para o cargo de primeiro-ministro, numa reformulação provocada pela esmagadora derrota do governo no referendo sobre a Constituição da União Européia.
Villepin substitui o impopular Jean-Pierre Raffarin, que renunciou horas antes. Foi ministro do Interior e das Relações Exteriores, período em que irritou os Estados Unidos, mas conquistou os franceses, por sua oposição à guerra no Iraque.
No úiltimo domingo, os eleitores franceses manifestaram nas urnas seu descontentamento com a política econômica de Raffarin e com o elevado desemprego no país.
Chirac, 72, e Villepin, 51, devem divulgar o novo gabinete na quarta-feira. Analistas prevêem um ministério mais enxuto.
O presidente deve fazer um pronunciamento à nação na terça-feira e delinear a política da nova equipe, que tentará governar a França até as eleições presidenciais e parlamentares de 2007.
Ao ser indicado, Villepin deixou para trás Nicolas Sarkozy, dirigente do partido governista UMP e potencial rival de Chirac na pré-disputa presidencial. No domingo, ele havia praticamente exigido o cargo de premiê para si.
Comentaristas dizem que há persistentes especulações de que Sarkozy, 50, poderia voltar ao governo como ministro do Interior e número dois de Villepin, além de permanecer como líder da UMP.
Em um curto comunicado, Raffarin defendeu sua atuação como primeiro-ministro ao longo de três anos e disse que a derrota de domingo não precipitou sua saída.
- Tomei esta decisão independentemente do resultado do referendo sobre a Constituição européia - afirmou.
A promoção do fiel Villepin indica que Chirac tentará se recuperar da humilhação do referendo para tentar um terceiro mandato em 2007.
Diplomata de carreira, aristocrata e às vezes poeta, Villepin foi aplaudido na Organização das Nações Unidas (ONU) e aclamado na França à direita e à esquerda, mas irritou e frustrou Washington por sua oposição à guerra no Iraque. Desde então, os dois países vêm se reaproximando. Aliados europeus da França devem receber bem sua nomeação.
Internamente, a prioridade do novo premiê será criar empregos em uma economia onde o índice de desocupação supera os 10%, recorde em cinco anos, promover o crescimento e cortar gastos públicos.
Embora conte com pleno apoio do presidente, Villepin tem pouca experiência na complicada política doméstica. Ele nunca disputou eleições e tem relações turbulentas com a maioria parlamentar da qual dependerá.
Em 1997, Villepin foi o artífice da decisão de Chirac de dissolver antecipadamente o Parlamento, o que levou a uma fácil vitória da coalizão liderada pelos socialistas sobre a maioria conservadora.
Esse desastre lhe valeu o apelido de "Nero", imperador famoso por atear fogo a Roma.