Rio de Janeiro, 01 de Fevereiro de 2026

Chirac é convocado a depor em caso de corrupção

O ex-presidente francês, Jacques Chirac, foi convocado pela Justiça para depor em um processo que investiga um esquema de desvio de salários de empregos fantasmas durante o período em que ele era prefeito de Paris. (Leia Mais)

Terça, 26 de Junho de 2007 às 08:54, por: CdB

O ex-presidente francês, Jacques Chirac, foi convocado pela Justiça para depor em um processo que investiga um esquema de desvio de salários de empregos fantasmas durante o período em que ele era prefeito de Paris.

Segundo seu advogado, Jean Veil, o ex-chefe de Estado deverá ser interrogado antes do dia 15 de setembro.

Chirac, que perdeu no dia 16 de junho - um mês depois de deixar a Presidência -, a imunidade concedida por lei a chefes de Estado, foi prefeito de Paris entre 1977 e 1995, ano em que assumiu a presidência.

Os salários de funcionários fantasmas da prefeitura teriam sido utilizados para pagar membros do RPR, partido de Chirac que se tornou, em 2002, o atual UMP, partido do governo.

O ex-presidente será ouvido pela Justiça como testemunha assistida, que é auxiliada por um advogado. Mas, segundo o jornal Le Figaro, existe o risco de que Chirac venha a ser indiciado no processo.

Caso Clearstream

O advogado do ex-presidente declarou que ele não prestará nenhum depoimento sobre casos surgidos durante suas funções presidenciais, de 1995 até maio deste ano.

- Jacques Chirac aceita responder à todas as questões dos juízes, mas somente em relação a fatos anteriores a 1995, quando ele era um cidadão comum. Como presidente, ele beneficia de imunidade, garantida pela Constituição - afirmou o advogado.

Na prática, isso significa que Chirac não deve prestar depoimento no caso Clearstream, que sacudiu a França no ano passado.

Dois juízes responsáveis pelo caso querem saber se Chirac ordenou, três anos atrás, que o serviço de inteligência fizesse uma investigação secreta sobre seu sucessor, Nicolas Sarkozy, a respeito de alegações de corrupção - que foram depois refutadas.

As alegações no caso Clearstream eram de que importantes políticos e empresários se beneficiaram de comissões ilegais pagas como parte de um grande contrato de venda de armas para Taiwan.

Já foi provado que essas acusações eram falsas, mas o interesse sobre o caso permaneceu justamente porque entre os nomes citados na lista falsa de contas no Banco Clearstream de Luxemburgo estava o de Sarkozy, que foi ministro do Interior de Chirac.

Sarkozy, que foi aliado de Chirac, se tornou seu desafeto após ter preferido apoiar outro político do mesmo partido, Edouard Balladur, na primeira campanha presidencial de Chirac, em 1995.

Durante seu mandato presidencial, Chirac aprovou a reforma constitucional do estatuto penal do chefe de Estado.

Segundo a lei, o presidente tem imunidade durante o exercício do cargo e só pode ser ouvido pela Justiça pelo menos um mês após ter deixado o cargo.

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