O presidente francês, Jacques Chirac, defendeu a idéia de um imposto internacional para financiar os países pobres em carta a líderes de mais de 50 países e responsáveis por organizações internacionais.
Chirac afirma que "é necessário um novo enfoque" na luta contra a pobreza, sobretudo na África subsaariana, porque o crescimento econômico "não será suficiente", diz a mensagem enviada aos chefes de Estado e de governo dos países da União Européia (UE), do Grupo dos Oito (G-8), de países emergentes e em desenvolvimento e aos dirigentes de organizações internacionais.
O presidente francês propõe uma ação baseada em três eixos: incentivos fiscais para doações particulares e de empresas em favor dos projetos de desenvolvimento; luta contra a evasão fiscal e os paraísos fiscais; e um "imposto internacional para financiar o desenvolvimento humano e a redução da pobreza".
Na carta, Chirac sugere, em primeiro lugar, a implementação "de forma coordenada, em nossos países, de contribuições com princípios e estruturas idênticas, destinadas ao financiamento de ações e programas definidos conjuntamente em um modelo multilateral e que estariam garantidas por um financiamento estável e previsível".
O chefe de Estado francês lembra que organizou um grupo de trabalho para apresentar sugestões sobre a implementação de um tributo internacional.
Segundo Chirac, com esse sistema de contribuição seria preciso evitar "punir, mesmo indiretamente, os países em desenvolvimento", "garantir a eficácia econômica" e conseguir "recursos adicionais reais em complemento, e não em substituição, aos esforços existentes de apoio ao desenvolvimento".
"A luta contra a pobreza e pelo desenvolvimento humano precisa de continuidade e estabilidade. Deve basear-se em mecanismos de financiamento e de coordenação sólidos, protegidos pelas incertezas econômicas e das oscilações políticas e internacionais. Essa necessidade, que não podemos satisfazer atuando separados, podemos combater, juntos, a um menor custo", argumentou.