Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Chirac defende expansão da UE, mas desencoraja Turquia

Quinta, 29 de Abril de 2004 às 07:07, por: CdB

O presidente da França, Jacques Chirac, defendeu nesta quinta-feira a expansão da União Européia como um "passo gigantesco" que faria do bloco um importante poder econômico, mas disse que a Turquia terá que passar por longas negociações antes de ingressar na UE.

Em uma entrevista coletiva de 90 minutos convocada para conquistar apoio junto aos franceses desconfiados da ampliação do bloco, que a partir de sábado passa a ter 25 membros, Chirac apelou à UE que chegue a um acordo sobre sua nova Constituição na cúpula de junho.

Ele disse, no entanto, que é cedo demais para decidir se a França seguiria o exemplo da Grã-Bretanha, que anunciou a convocação de um plebiscito sobre a adoção da nova Constituição.
Chirac não quis fazer comentários a respeito da decisão do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, de realizar o referendo.

Segundo pesquisas, os franceses apoiariam, por uma pequena margem de votos, a nova Constituição da UE e a expansão. "Ao dar as boas-vindas aos países que mais sofreram com as divisões do passado, a União está dando um passo gigantesco", afirmou Chirac.

"Porque, com seus 450 milhões de habitantes, a União se coloca como uma potência econômica de primeira classe, onde o crescimento e o investimento criarão uma nova dinâmica na área de empregos", disse.

A Turquia não está entre os dez novos integrantes, em sua maior parte países das regiões leste e central da Europa. Em dezembro, a UE deve se decidir se inicia ou não negociações com os turcos para discutir o ingresso deles no bloco.

"Tenho a convicção de que a Turquia possui uma vocação para a União Européia, mas a entrada dela na União só é possível sob condições que hoje não se verificam", afirmou Chirac.
"Sejamos claros - se as condições permitirem que as negociações comecem no início do próximo ano, temos que saber que as negociações serão longas, muito longas." 

O objetivo do presidente francês era enfatizar os aspectos positivos da expansão do UE. Alguns franceses temem que a ampliação custará caro, diluirá a influência da França na UE e dificultará um consenso sobre as políticas comuns.

A entrevista não só serviu para que Chirac explicasse o que ele considera serem os benefícios da ampliação como para dar um impulso em sua popularidade. Ele queria deixar suas opiniões bem claras para toda Europa antes das eleições para o Parlamento Europeu em junho, que estão se desenhando como a próxima grande batalha entre seu partido conservador e os socialistas, que saíram vitoriosos das eleições regionais no mês passado.

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