Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

Chineses pedem boicote à França por encontro Sarkozy-Dalai Lama

Sexta, 05 de Dezembro de 2008 às 08:03, por: CdB

Chineses nacionalistas enfurecidos usaram a Internet para defender um boicote a produtos franceses em protesto contra o planejado encontro entre o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o exilado líder espiritual tibetano, Dalai Lama, no fim de semana.

Pequim já havia alertado Paris sobre a decisão de Sarkozy e disse que o encontro forçaria o governo a adiar uma cúpula entre a China e a União Européia, mas alguns cidadãos querem uma resposta mais contundente ao que vêem como uma afronta a seu orgulho nacional.

– Estou usando meu nome real para jurar aos franceses: eu vou boicotar produtos franceses para o resto da vida. Nunca vou usar marcas francesas ou qualquer produto fabricado na França – disse um internauta, que se identificou como Yan Zhongjie.

Antes da Olimpíada de Pequim, em agosto, protestos e boicotes parecidos foram feitos diante de lojas francesas, depois que a passagem da tocha olímpica por Paris foi marcada por manifestos anti-China.

Nacionalistas como Yan vêem o Dalai Lama como um separatista maquiavélico que deseja destruir a China no momento em que ela ganha mais poder internacionalmente, após mais de um século de humilhação, pobreza e impotência política.

O monge, que é líder espiritual de milhões de tibetanos, diz que não quer a independência do Tibete, somente a autonomia, já que a cultura e as tradições religiosas de seu povo estão sendo lentamente suprimidas.

O Dalai Lama se exilou em 1959 depois de uma tentativa frustrada de insurreição contra o comando chinês no Tibete, ocupado por tropas do Exército da Libertação Popular desde 1950. A China acusa seus seguidores de impulsionar as revoltas ocorridas no Tibete em março, mas o Dalai Lama nega tal acusação.

A França diz que Sarkozy vai se encontrar com o tibetano em um cerimônia no dia 6 de dezembro, na Polônia, onde o ex-líder solidário Lech Walesa será homenageado. Embora haja uma grande presença francesa na China e empresas como o Carrefour tenham muito a perder, a China tem um superávit comercial com a nação européia e tal tipo de protesto pode ser arriscado.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Liu Jianchao disse na quinta-feira que o encontro entre Sarkozy e Dalai Lama causou "muita insatisfação", mas também pediu ao público que fique "calmo e racional".

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