Forças de segurança da tensa cidade de Urumqi, no extremo oeste da China, usaram nesta sexta-feira gás lacrimogêneo para dissolver novos protestos realizados por milhares de chineses da etnia han, que exigem mais segurança depois de uma suposta onda de ataques com seringas.
Repetindo os protestos desta semana, eles se queixam da demora das autoridades para punir os membros da etnia islâmica majoritária uigur, que é nativa desta região rica em recursos energéticos. Hans e uigures já haviam tido violentos confrontos em 5 de julho.
Veículos da polícia continuam patrulhando as ruas com alto-falantes, orientando as pessoas a irem para as suas casas e manterem a ordem. Mas, com as escolas fechadas e os ônibus fora de circulação por causa dos bloqueios nas ruas, muita gente acaba ficando à toa pela cidade, e pequenos protestos surgem espontaneamente.
– O principal é que ninguém mais se sente seguro aqui – , disse Zhen Guibin, han que observava um dos distúrbios.
Muita gente se queixa de que os responsáveis uigures pelos protestos de 5 de julho não foram detidos.
A agência oficial de notícias Xinhua disse que "gás lacrimogêneo foi empregado para dispersar os manifestantes," e que o governo proibiu "passeatas não autorizadas e protestos em massa."
Nesta quinta-feira, a multidão exigiu a renúncia do dirigente regional do Partido Comunista, Wang Lequan, que há 14 anos ocupa o cargo mais poderoso da região. Alguns pediram até mesmo que ele fosse executado.
O pânico se espalhou na cidade há uma semana depois que mensagens de texto do governo alertavam para os ataques com seringas. Alguns pais ficaram com medo de mandar seus filhos sozinhos às aulas enquanto as escolas ainda estavam abertas nesta semana.
– Eles não têm o direito de bloquear as ruas desse jeito. Esses uigures estão nos apunhalando com agulhas –, disse um homem que tentava passar pelas barreiras que isolam bairros uigures.
Paramilitares e policiais se deslocavam pela cidade para dispersar multidões aglomeradas em cruzamentos. Muita gente na multidão tentava discutir diretamente com os policiais, reivindicando "mais direitos para o povo han," que é majoritário na China como um todo.
Um grupo de jovens hans desfraldou uma bandeira chinesa e tentou conduzir uma passeata até a Praça do Povo, seguido por centenas de pessoas aos gritos de "segurança" A polícia arrancou a bandeira dos manifestantes, mas a multidão continuou gritando.
O protesto dos uigures em 5 de julho desencadeou uma onda de violência em toda a cidade, o que resultou na morte de 197 pessoas, a maioria chineses. Dois dias depois, bairros uigures foram atacados por hans que queriam vingança.