Chineses apoiam porta-aviões para o país, mostra pesquisa
PEQUIM (Reuters) - A população chinesa apoia com entusiasmo os planos de lançamento do primeiro porta-aviões do país, apesar de a maioria também acreditar que isso pode desencadear uma corrida armamentista na Ásia, de acordo com a pesquisa de um jornal chinês publicada nesta quinta-feira.
O Global Times disse que quase 80 por cento dos participantes no levantamento quer que a China lance a embarcação, embora 56,5 por cento considere que tal ação aumentaria os riscos de uma corrida armamentista na Ásia ou com outros países, incluindo os Estados Unidos.
Fontes militares e políticas chinesas declararam que Pequim pode lançar seu primeiro porta-aviões em 2011, usando uma embarcação soviética adaptada. Tal lançamento seria um primeiro passo exploratório com vistas a uma frota de porta-aviões operacionais.
"Salvaguardar a integridade territorial e conter invasões pelo mar foram listadas como as principais razões para a China desenvolver porta-aviões (77,8 por cento)", disse o Global Times, popular tabloide nacionalista.
O Escritório de Inteligência Naval dos EUA estimou que o Varyag, que uma empresa chinesa comprou da Ucrânia em 1998 por 20 milhões de dólares, seria lançado como plataforma de treinamento até 2012, e que a China terá um porta-aviões construído em seu solo e operacional após 2015.
A China seria o terceiro país asiático com tal equipamento, depois de Índia e Tailândia, e se o lançamento de um único porta-aviões tem pouco efeito estratégico imediato, pode reforçar o orgulho militar em casa e os temores no exterior.
Em uma pesquisa telefônica com 1.166 pessoas em sete cidades chinesas conduzida pelo tabloide, 14,2 por cento dos participantes disse que um porta-aviões chinês torna a possibilidade de uma corrida armamentista "extremamente alta", enquanto 42,3 por cento disse ser "certamente uma possibilidade".
Um porta-aviões "resguardaria o poderio militar chinês como um todo", disse 81,3 dos participantes, e 50,9 por cento disse que serviria como um contrapeso aos EUA e conteria sua "hegemonia."
Em março, os militares da China disseram estar diante de uma Ásia cada vez mais "volátil" onde os Estados Unidos ampliaram sua presença estratégica.
O governo também confirmou testes de seu primeiro caça invisível.
Muitos especialistas acreditam que o gasto atual de 2,3 bilhões de dólares do Exército de Libertação do Povo é bem maior do que o governo declara.
A China, hoje a segunda maior economia do mundo, frequentemente sublinha que seus gastos de defesa diminuem em comparação aos dos EUA e que suas modernizações militares têm propósito defensivo.
(Reportagem de Michael Martina)
Reuters