Alegando falta de acordo e contenção de gastos, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), suspendeu nesta quinta-feira a sessão em que estava previsto o início da votação da reforma política. A decisão incomodou o DEM que acusa Chinaglia de agir em favor do governo federal estabelecendo uma espécie de moeda de troca entre a reforma política e a aprovação da CPMF, o imposto sobre cheques.
É que a emenda aglutinativa que estava em pauta para ser votada previa uma regra mais liberal ao definir normas sobre fidelidade partidária. No entanto, a medida não obteve consenso entre os partidos políticos. Com isso, aliados teriam ameaçado não votar a CPMF, caso este item da reforma fosse rejeitado. A ameaça teria feito com que Chinaglia opinasse pela suspensão da sessão, evitando a votação e a possível rejeição da medida.
Porém, oficialmente ele afirmou que não daria continuidade à sessão, que iria avançar noite adentro, porque seria um prejuízo extra aos cofres públicos -considerando que não havia acordo para votação.
- Não se trata de perder a paciência, mas de ter objetivo. De levar essa sessão extraordinárias só para ter gastos inúteis. Quis evitar gastos inúteis - disse o presidente da Câmara.
Mas a justificativa de Cinalgia não convenceu o DEM. Segundo o líder da legenda, Onyx Lorenzoni (RS), e o autor da reforma política, Ronaldo Caiado (GO), o governo agiu, por intermédio do petista, para garantir a aprovação da CPMF.
- A reforma política está sendo usada como moeda de troca. Por que? Porque o Palácio do Planalto mandou cancelar a sessão porque havia ameaça de votarem contra a CPMF - disse Caiado.