Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

Chinaglia: 'Só falta dizer que veio dinheiro do Bin Laden'

Líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse nesta segunda-feira que o governo não vai mudar a pauta por causa da reportagem da revista Veja de que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido dinheiro do governo de Cuba. (Leia Mais)

Segunda, 31 de Outubro de 2005 às 12:41, por: CdB

Líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse nesta segunda-feira que o governo não vai mudar a pauta por causa da reportagem da revista Veja de que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido dinheiro do governo de Cuba.

- Não é uma matéria de uma revista que vai mudar a pauta do governo - afirmou após participar da reunião de Lula com a equipe de coordenação política no Palácio do Planalto.

Questionado sobre o endurecimento do discurso da oposição por causa da matéria, Chinaglia afirmou que o caminho seguido pelos oposicionistas não tem coerência.

- É um abuso, uma forçação de barra tremenda. Em dado momento surgiu uma denúncia, nunca provada e já esclarecida, de que o Partido dos Trabalhadores (PT) teria recebido dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e agora de Cuba. Só falta a oposição dizer que o PT recebeu dinheiro do Bin Laden - disse.

Sobre a ameaça da oposição de convocar o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente Lula para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos devido à matéria, o líder declarou que a oposição quer mudar o enfrentamento político para eleitoral:

- Eu não quero crer que certas notícias se transformem em realidade como esta da oposição de querer levar até o presidente da República numa CPI que está sendo apelidada de CPI do Fim do Mundo, dada a sua falta de rumo em alguns momentos.

Em entrevista à Veja, dois assessores da prefeitura de Ribeirão Preto, durante a gestão do atual ministro da Fazenda, disseram ter ouvido que o governo cubano enviou dinheiro para a campanha de Lula. Um dos ex-assessores, Rogério Buratti, diz ter sido procurado por Ralf Barquete, ex-secretário da Fazenda na administração municipal de Palocci. Segundo Buratti, Barquete, morto no ano passado, buscava uma forma de trazer US$ 3 milhões de Cuba.

Já outro ex-assessor, Vladimir Poleto, diz ter levado, em um avião, três caixas de bebida de Brasília a Campinas e, lá, as entregado a Barquete, que teria dito que as caixas continham US$ 1,4 milhão.

De acordo com Arlindo Chinaglia, não existem provas sobre a denúncia da revista e seria um "erro dramático para o país" se o governo se sentisse atingido. Ele disse ainda que qualquer medida a ser tomada deve ser avaliada pelo PT e não pelo governo.

- Quem quiser investigar o conteúdo que investigue. Não vamos colocar o governo no clima de guerra fria. Essa reportagem, na minha opinião, morre em quem já morreu. Quem diz que transportou o dinheiro, não viu o dinheiro - afirmou.

Chinaglia afirmou que os principais temas da reunião foram a votação dos projetos de lei sobre gestão de florestas, micro e pequena empresas e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Ele disse também que Lula opiniou com "simpatia" sobre alteração feita pelo Congresso Nacional no Sistema Simplificado de Tributação (Simples), na MP do Bem , aprovada na semana passada, que permitirá adesão de mais empresas ao sistema.

Participaram também da reunião os ministros Antonio Palocci (Fazenda), Dilma Rousseff (Casa Civil), Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Jaques Wagner (Relações Institucionais) e José Alencar (Defesa).

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