Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Chinaglia reforça candidatura de Temer à Presidência da Câmara

Quarta, 21 de Janeiro de 2009 às 10:33, por: CdB

Presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia voltou a comentar, na manhã desta quarta-feira, a confirmação da candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à Presidência do Senado. Chinaglia garantiu o apoio ao deputado Michel Temer (PMDB-SP) à Presidência da Casa, embora o PT deverá concorrer ao cargo.

– A candidatura de José Sarney chama a atenção porque, quando a candidatura de Michel Temer foi lançada aqui na Câmara, foi tratada pelos líderes do PMDB como algo prioritário. Então se alguém deve estar preocupado com a candidatura de Temer deve ser os senadores do PMDB – disse Chinaglia a jornalistas.

O presidente da Câmara acrescentou que não crê que o lançamento da candidatura de Sarney provoque nenhuma mudança na posição da bancada do PT.

– Seria um erro mudar o compromisso que firmamos – acrescentou.

Há dois anos, o PMDB apoiou a eleição de Arlindo Chinaglia em troca do apoio a Michel Temer a presidente da Câmara na eleição subsequente:

– Até porque não está escrito quem vai ganhar no Senado. O processo continua. Eu prefiro o PT comandando o Senado e o PMDB comandando a Câmara.

Cesare Battisti

O presidente da Câmara também comentou a carta que recebeu de representantes do parlamento da Itália criticando a decisão brasileira de dar refúgio ao italiano Cesare Battisti. Ex-integrante de um grupo de esquerda, Battisti foi condenado por quatro assassinatos ocorridos nos anos 70. Preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília, será posto em liberdade e poderá viver no Brasil.

– Essa carta critica a decisão de conceder asilo, uma decisão que cabe ao Poder Executivo. Existe uma solicitação, já anunciada pela imprensa, do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para que haja uma manifestação do Ministério Público. Ou seja, o Judiciário também deverá se manifestar sobre o caso – disse.

Para Chinaglia, o Legislativo não tem nenhum poder de interferir diretamente sobre o assunto, mas tem o poder de fazer o debate sobre o tema. Ele acredita que, na volta dos trabalhos legislativos, agora em fevereiro, esse assunto seja debatido pela Casa. Chinaglia vai enviar cópia da correspondência recebida aos líderes partidários e ao ministro da Justiça, Tarso Genro.

Questionado se sua resposta ao presidente do parlamento italiano incluirá uma posição sobre que providência deveria ser tomada, Chinaglia disse que não é o caso, porque o presidente do parlamento italiano não pediu providências da Câmara.

– Ele sabe que as providências cabem ao Poder Executivo. Deputados e senadores são competentes para o debate e isso pode gerar pressões políticas contra ou a favor de determinadas posições. A resposta será cuidadosa, pois é natural haver divergências sobre um tema como esse. Se o governo brasileiro reiterar sua posição, é normal que se tenha a dimensão dos aspectos de soberania nacional – observou.

Chinaglia descarta a possibilidade de que esse episódio vá fomentar algum tipo de hostilidade entre as populações do Brasil e da Itália. Ele lembra que o Brasil tem uma das maiores colônias de descendentes de italianos.

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