Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

China vai proibir novas fábricas de cigarro, diz autoridade

Quarta, 08 de Fevereiro de 2006 às 08:49, por: CdB

A China não permitirá a construção de novas fábricas de cigarro, incluindo joint ventures com parceiros estrangeiros, em uma medida destinada a reduzir o consumo do produto no país, que fuma 2 trilhões de cigarros por ano. O governo também deve tornar mais rígido o controle sobre as fábricas já existentes, afirmou Sha Zukang, embaixador para as agências da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra, segundo a agência de notícias Xinhua.

A China é o maior produtor de cigarros do mundo e os chineses estão entre os fumantes mais inveterados do planeta, com um mercado em expansão de 320 milhões de consumidores, fato que faz do país um ímã para multinacionais e um foco da atenção de órgãos mundiais de saúde. Os cigarros chineses também estão entre os mais baratos do mundo e o fumo mata 1,2 milhão de pessoas por ano no país, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em dezembro, a Philip Morris, uma unidade do Altria Group Inc., anunciou uma joint venture para produzir o cigarro Marlboro na China. Seu parceiro é a empresa estatal China National Tobacco Corp. A promessa de Sha repete declarações feitas anteriormente por autoridades chinesas da área de saúde e não se sabe ainda exatamente como o acordo com a Philip Morris seria afetado.

A empresa negou-se a fazer comentários sobre o caso e apenas divulgou novamente um comunicado em que anuncia o acordo com os chineses. Sha deu suas declarações durante um encontro para implementar a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco, que a China assinou em 2003 e ratificou em 2005. O acordo visa reduzir o consumo de cigarro, adotando várias medidas, entre as quais a proibição de propaganda sobre o fumo.

- O governo chinês seguirá as estipulações feitas na convenção a fim de melhorar leis e regulamentações, controlar o consumo de cigarro em locais públicos e tornar mais rígida a regulamentação das atividades de produção e venda do cigarro -  afirmou Sha.

Segundo a OMS, as medidas da convenção poderiam salvar cerca de 200 milhões de vidas até 2050 se for atingida a meta de diminuir o número de fumantes e de novos fumantes pela metade. Mas o órgão acrescentou que ainda havia um longo caminho a ser percorrido, e isso apesar da boa vontade do governo.

- Em muitas cidades, em muitos locais públicos, no papel o cigarro não é permitido. Mas ainda se vê mesmo em hospitais algumas pessoas fumando. Essa é uma prática social, e precisamos mudar a cabeça das pessoas a fim de fazer dessa uma prática anti-social. Não se conseguirá solucionar o problema agitando uma varinha mágica  -  afirmou Cristobal Tunon, diretor do programa da OMS em Pequim, que participa dos esforços de combate ao fumo.

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