Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

China vai frear produção de alumínio em 2005

Sexta, 10 de Dezembro de 2004 às 08:37, por: CdB

 O governo chinês deve manter o freio puxado no setor de alumínio no próximo ano, já que o país procura balancear o crescimento industrial com as necessidades energéticas do país, disse uma autoridade do principal órgão de decisões políticas da China.

O vice-director do Conselho Estatal, Liu Jiansheng, disse que Pequim quer estabilizar o aumento da nova capacidade de produção de alumínio e encorajará empresas chinesas a buscarem matéria-prima no exterior.

- De maneira geral, os investimentos no país ainda são muito altos - disse Liu na tarde de quinta-feira em intervalo do Fórum de Alumínio na China, realizado em Haikou, no sul da ilha chinesa de Hainan.

O governo chinês impôs medidas de contenção à indústria de alumínio este ano, incluindo restrições de empréstimos e tarifas de energia mais elevadas, para esfriar o rápido crescimento de um setor que é um consumidor intenso de energia. O governo quer reservar mais eletricidade para outros usos.

A capacidade de produção de alumínio da China cresceu 2,6 vezes entre 2000 e 2003 para 8,34 milhões de toneladas, afirmou o diretor da comissão de desenvolvimento e reforma estatal, Xiao Chunquan, ainda nesta semana.

Pequim também irá reduzir suas exportações de alumínio no próximo ano e instruiu fundidores a usarem tecnologia de ponta para modernizarem-se, caso contrário terão que fechar as portas até o fim de 2005.

Esses mecanismos de controle aceleram a restruturação da indústria de alumínio da China, segundo Liu, forçando o fechamento de empresas não competitivas. Ele disse que muitas indústrias de alumínio na China estavam operando com perdas, devido ao alto preço da alumina, o material branco e em pó a partir do qual é feito o alumínio.

Mas ele informou que a demanda e os preços do alumínio seriam ainda maiores se o governo não tivesse controlado a capacidade de produção das empresas, pois a nova capacidade impulsionaria a demanda pela matéria-prima.

Liu disse que o governo estava encorajando investidores locais e estrangeiros a comprarem ou consolidarem empresas chinesas que enfrentam fechamento.

- O governo considera o problema de dívidas que podem resultar no fechamento de fábricas. A melhor solução seria que investidores as comprassem ou que ocorressem fusões - disse Liu.

O representante chinês afirmou ainda que Pequim também estava atenta à falta de bauxita e alumina no mercado doméstico e estava encorajando empresas a investirem em mineradoras e exploradoras fora do país. A maior produtora chinesa, a Aluminum Corp. of China, assinou um acordo com a Companhia Vale do Rio Doce para a construção de uma refinaria de alumina no Brasil. A primeira fase, ao custo de US$ 1 bilhão, resultará em uma capacidade de produção de 1,8 milhão de toneladas até 2007.

Empresas estatais chinesas estão também explorando projetos de bauxita e alumina no Vietnã e na Austrália. Liu disse que levará alguns anos para a China resolver graves gargalos em sua malha ferroviária, a principal via de transporte de alumina e alumínio.

A produção de alumínio chinês crescerá cerca de 20% este ano, para 6,6 milhões de toneladas, e cerca de 9%, para 7,2 milhões de toneladas, em 2005, de acordo com o analista da Beijing Antaike Information, Wang Feihong.

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