O gabinete do Conselho de Estado do governo chinês anunciou, nesta quarta-feira, que pretende intervir, temporariamente, na economia e segurar os preços dos alimentos básicos, combustíveis e alguns serviços para combater pressões inflacionárias. Com a nova medida, produtores, comerciantes e certos profissionais estão proibidos de aumentar os preços de mercadorias e serviços sem consultar o governo antes.
Aqueles que desobedecerem à ordem vão ter de pagar multas pesadas. A medida foi divulgada após uma reunião do Conselho de Estado, presidida pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao. O governo não revelou por quanto tempo a diretriz permanecerá em vigor. A China registrou inflação recorde em novembro, com alta de 6,9%, a maior dos últimos 11 anos. Os alimentos são apontados como a força que têm puxado esse índice para cima.
Somente em novembro a elevação média dos preços dos produtos de gênero alimentício chegou a 18%. A carne de porco teve aumento de 50%. No caso dos combustíveis, que já têm os preços controlados pelo governo, foi anunciado que não haverá mudanças ou aumentos em breve. Preços da gasolina, gás natural e eletricidade não sofrerão ajustes no futuro próximo e contas de gás, água, aquecimento e transporte público nas cidades também não serão elevados, diz a declaração do Conselho de Estado.
O último reajuste nos combustíveis foi de 8% em novembro, quando o governo teve de ceder à pressão de refinarias nacionais que suspenderam a produção depois de amargar perdas na disparidade entre os custos internacionais do petróleo e os minguados lucros domésticos. As novas restrições também se aplicam a serviços como taxas de tratamento médico e aos preços dos principais fertilizantes agrícolascomo os fosforados,informou a agência estatal de notícias Xinhua.
Inflação Alta
Com a chegada do ano-novo chinês nas próximas semanas, o consumo de alimentos e combustíveis deve crescer. Muitos chineses viajam para visitar as suas famílias, o que satura a rede de transporte e aumenta a demanda de combustível. Alem disso, a confraternização tradicional é como a época de Natal no Ocidente, com mesas fartas e muitas refeições.
Ciente de que a alta nos preços dos alimentos e combustíveis pode causar inquietação social em tempos de comemoração, o governo quer garantir a satisfação imediata do povo. Autoridades locais vão conduzir vistorias para garantir que os preços de grãos, óleo, carne e gás de cozinha não subam antes das festas e que não haja problemas de fornecimento nos mercados.
Observadores, entretanto, se perguntam se a medida vai funcionar em setores da economia que vinham sendo regulados pela livre oferta e procura há anos, como no caso dos alimentos e serviços. Por causa da alta demanda e do preço artificialmente baixo, é possível que as prateleiras dos supermercados fiquem vazias rapidamente e os produtos acabem parando no mercado negro, onde são revendidos por preços mais altos.