Rio de Janeiro, 05 de Outubro de 2026

China se diz disposta a encontrar enviados do Dalai Lama, de novo

Sexta, 13 de Março de 2009 às 08:34, por: CdB

O primeiro-ministro Wen Jiabao disse nesta sexta-feira que a China está disposta a manter mais conversas com representantes do Dalai Lama, desde que o líder espiritual tibetano renuncie ao que Pequim descreve como separatismo.

Wen disse que as políticas chinesas para o Tibet são corretas e que a região é pacífica e estável. Apesar disso, forças de segurança mantêm um controle estrito das regiões etnicamente tibetanas, um ano depois da repressão às manifestações contra o domínio chinês na região.
Autoridades chinesas e enviados do Dalai Lama já mantiveram diálogos anteriores, mas com poucos resultados.

– Esse tipo de conversa pode continuar. A chave é que o Dalai Lama deve demonstrar sua sinceridade para que as conversas possam alcançar resultados substantivos – disse Wen em entrevista coletiva, ao final da sessão anual do Parlamento.

O Dalai Lama, líder espiritual budista do Tibet, vive há 50 anos exilado no norte da Índia. Ele diz que não busca a independência para sua região, apenas mais autonomia em relação a Pequim. O regime chinês diz que aceita discutir apenas o "status pessoal" dele.

Um assessor disse em Dharamsala, sede do governo tibetano no exílio, que o Dalai Lama está "sempre aberto a conversas".

– A despeito do que disse o primeiro-ministro chinês, deixamos muito claro que nossos enviados estão prontos para qualquer diálogo – disse Chhime Chhoekyapa à Reuters por telefone.

Já o primeiro-ministro tibetano do exílio, Samdhong Rinpoche, afirmou que a oferta de Wen "é algo que sempre precisamos saudar, e estamos sempre preparados para mandar os enviados de Sua Santidade a qualquer momento".

– Já apresentamos nossas aspirações por escrito na última rodada do diálogo, em novembro passado – acrescentou.

Em discurso no dia 10, por ocasião dos 50 anos de seu exílio, o Dalai Lama defendeu uma "autonomia significativa" para o Tibet e acusou Pequim de ter submetido o seu povo a um "inferno na Terra".

Wen deu sinais também de buscar uma reaproximação com a França, ao sugerir que o que irritou Pequim no ano passado foi a grande visibilidade de um encontro do presidente Nicolas Sarkozy com o Dalai Lama.

– Os problemas que surgiram entre China e França surgiram principalmente porque o líder francês encontrou o Dalai Lama de forma proeminente. Isso não só envolveu os interesses centrais da China, como também feriu seriamente os sentimentos do povo chinês – disse Wen.

A China havia anteriormente criticado o fato de a reunião ter ocorrido. A causa tibetana é muito popular na França e na Europa como um todo, e centenas de bandeiras tibetanas foram hasteadas em prefeituras e ministérios no dia 10 de março, cinquentenário da frustrada rebelião que levou à fuga do Dalai Lama.
A imprensa chinesa disse que dois cidadãos chineses rasgaram a bandeira tibetana que havia sido hasteada na prefeitura de Paris.

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