A China disse que está disposta a dialogar com os manifestantes que vêm tentando atrapalhar a passagem da tocha Olímpica, para explicar as posições políticas do país em relação ao Tibete.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Jiang Yu, afirmou nesta quinta-feira que o governo chinês se dispõe a conversar com os ativistas pró-Tibete, mas enfatizou que se opõe à politização dos Jogos Olímpicos, como tem ocorrido durante o percurso da tocha olímpica por diversos países.
— Houve atividades para causar distúrbio à passagem da tocha. Se essas pessoas não entendem a política chinesa, nós estamos dispostos a incrementar a nossa comunicação com elas na base do respeito mútuo e da igualdade —, afirmou Jiang.
— Mas se alguém quiser usar a ocasião para expressar e fazer sensacionalismo de suas visões políticas, então esse é o lugar errado —, acrescentou a porta-voz.
Ela criticou o que chamou de ataques "cruéis" e "violentos" contra o fogo olímpico.
— O que temos visto não é protesto, e sim ataques cruéis e violentos contra a chama olímpica, que pertence a todo o mundo. Isto deve ser denunciado por todos os que apoiam a justiça e a igualdade no mundo. Eles feriram os interesses de todas as pessoas —, disse.
Ofensa
Jiang Yu também se pronunciou a respeito da ofensa que o governo da China sentiu pelos comentários feitos por um âncora da rede de TV americana CNN.
No dia 9 de abril, o apresentador do programa The Situation Room, Jack Cafferty, chamou os chineses de "bandidos" e os produtos fabricados na China de "porcaria". No começo da semana, a China exigiu que a CNN se desculpasse.
A rede publicou uma nota afirmando não ter a intenção de ofender o povo chinês. Destacou que a opinião era exclusivamnte do apresentador e se referia apenas ao governo da China. Mas as autoridades chinesas não se deram por satisfeitas e rejeitaram o pedido de desculpas da CNN nesta quinta-feira.
— A nota da CNN divulgada no dia 15 não foi uma desculpa sincera —, disse Jiang.
— As palavras de Cafferty são não apenas insultos ao povo chinês, mas uma afronta à consciência dos seres humanos e aos princípios universais. Os chineses não podem ser ofendidos —, disse.
— Mais uma vez, pedimos firmemente que a CNN tome uma atitude séria nesse episódio e retire imediatamente os comentários maliciosos que fez. A CNN deveria pedir desculpas sinceras a todo o povo da China —, exigiu a porta-voz.
Tocha
As declarações ocorrem no mesmo dia em que a tocha olímpica chega à Índia, país vizinho da China que abriga uma grande população de tibetanos exilados. O esquema de segurança para garantir a chegada da tocha a Nova Déli conta com 15 mil homens.
Além de bem protegida, a passagem da chama também será breve. A rota original do desfile pelo centro da cidade era de nove quilômetros, mas foi encurtada para um terço dessa distância.
O governo indiano não divulgou um itinerário detalhado da tocha, para evitar que demonstrações fossem ao encontro da chama olímpica. Apenas um grupo de 500 personalidades do país e crianças escolares poderão permanecer nas calçadas durante a passagem do fogo olímpico pela região central da cidade.
Cerca de 70 pessoas, entre celebridades e atletas, carregarão a tocha enquanto ela estiver na Índia.
Protestos
Ainda antes da chegada da tocha à capital indiana, um grupo de manifestantes pró-Tibete organizou uma marcha carregando uma pira alternativa cercada por bandeiras tibetanas.
Os ativistas vestiam faixas na cabeça com os dizeres "Tibete livre" e contavam com o apoio de algumas celebridades locais.
Há várias semanas, simpatizantes da causa da independência tibetana vêm se reunindo na Praça Jantar Mantar, no centro de Nova Déli, para expressar descontentamento com a liderança da C
China se diz aberta a dialogar com ativistas pró-Tibete
Quinta, 17 de Abril de 2008 às 17:53, por: CdB