O governo chinês criticou os dirigentes de Hong Kong nesta sexta-feira devido à grande passeata pró-democracia ocorrida no território no dia anterior. Mas, segundo analistas, os comentários podem sinalizar certa disposição do governo continental em negociar com alguns dos ativistas pró-democracia.
Gritando palavras de ordem como "devolvam o poder ao povo", centenas de milhares de manifestantes foram às ruas de Hong Kong na quinta-feira para criticar a decisão das autoridades chinesas de não permitir que eles elegessem o dirigente do território e para dar mostras de sua insatisfação com o governo central.
"Alguns organizadores do protesto usaram cartazes e slogans inapropriados", afirmou uma autoridade identificada como a "pessoa no comando" do Escritório de Ligação em Hong Kong, uma agência do governo chinês.
"Essas manifestações não são condizentes com o desejo comum dos moradores de Hong Kong por estabilidade, desenvolvimento e harmonia", afirmou a autoridade, segundo a agência chinesa de notícias Xinhua.
A menção da palavra "estabilidade" pelo Escritório de Ligação era um sinal de que a China não cederia às exigências dos manifestantes de eleger por voto direto seus administradores, afirmaram analistas.
"A China acredita que a eleição dos dirigentes por voto direto não levará à estabilidade", afirmou Zhang Zhirong, um especialista da Universidade Pequim. Mas o estudioso acrescentou: "O tom não é enérgico se comparado com o adotado no passado. As comunicações não serão cortadas." Zhang referia-se a um diálogo entre a China e os ativistas pró-democracia.
A autoridade chinesa não disse quais cartazes e slogans eram inapropriados, mas analistas viram na frase "devolvam o poder ao povo" um apelo velado pela independência do território.
A Grã-Bretanha devolveu Hong Kong à China em 1o de julho de 1997 depois de mantê-lo como sua colônia por mais de 150 anos. Atualmente, o território é dirigido por uma autoridade indicada pelo governo chinês e goza de relativa autonomia.