O Departamento de Quarentena da China recusou a entrada de quatro carregamentos de soja brasileira de 19 de maio a 11 de junho, informaram autoridades do país nesta quarta-feira, alegando contaminação no produto, o que tem gerado um impasse comercial entre os dois países.
A China rejeitou, desde abril, cinco carregamentos brasileiros depois que as autoridades do país detectaram carboxin (um fungicida prejudicial aos humanos que é normalmente borrifado nas sementes de soja) no carregamento.
A China importou 20,7 milhões de toneladas de soja, um volume avaliado em US$ 5,4 bilhões em 2003, um terço terço foi do Brasil, o segundo maior produtor da oleaginosa do mundo.
A Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena, conhecida como CIQ (sigla em inglês), informou em comunicado na sua página da Internet (http://www.aqsiq.gov.cn) que seus escritórios nas cidades de Guangdong, Fujian, Xiamen e Shenzhen encontraram quatro carregamentos contaminados com o fungicida.
Um primeiro carregamento no porto de Xiamen deixou a China depois que a contaminação foi apontada no fim de abril, acrescentaram os representantes dos escritórios da quarentena.
O mercado está agora rastreando o destino de mais dois carregamentos brasileiros --cada um nos portos de Qinhuangdao e Longkou.
- Ainda estamos checando. Ainda não há conclusões - informou, por telefone, uma autoridade de Qinhuangdao.
Em Longkou, o comprador do carregamento brasileiro disse que alguns grãos contaminados foram encontrados e que estava esperando uma decisão da Quarentena. O impasse tem sido uma dor de cabeça para os exportadores e traders brasileiros.
Uma missão do Ministério da Agricultura brasileiro viajaria à China na terça-feira para tentar contornar o problema. Mas a viagem foi adiada, segundo o Ministério da Agricultura, devido à necessidade de adequação das agendas das autoridades brasileiras e chinesas.
Até o momento, as autoridades chinesas suspenderam 23 forncedores brasileiros de exportar soja à China, de acordo com o comunicado na Internet, que foi divulgado depois de o chefe da Quarentena, Ge Zhirong, ter se reunido com o embaixador brasileiro na terça-feira.
Durante o encontro, a China se mostrou satisfeita com os novos padrões sanitários introduzidos pelo Brasil na semana passada.
Mas fornecedores alegam que os problemas permanecem, já que será difícil satisfazer as políticas de tolerância zero da China sobre os grãos brasileiros.
A China se tornou o maior país consumidor da soja brasileira pelo segundo ano consecutivo em 2003, quando o país asiático tomou um terço das exportações brasileiras da oleaginosas.