A história em quadrinhos "Quero saber por mim mesmo" será a primeira com conteúdo sexual na China destinada aos público infantil, um novo passo na quebra de um tabu milenar no país, informou nesta segunda-feira o jornal China Daily.
- O volume contém informação sobre o crescimento saudável das crianças -, destacou Chen Xuefeng, responsável pelo Centro Chinês para as Crianças.
As autoridades locais traduziram e realizaram algumas mudanças na versão sul-coreana original, que serviu de inspiração para a adaptação chinesa.
- Acho que vai ser muito útil para uma adequada transição à adolescência -, acrescentou Xuefeng.
Nos últimos anos, as editoras da China, onde uma férrea tradição milenar considera o sexo um tabu, publicaram diversos livros sobre educação sexual.
Segundo as autoridades médicas, na década pasada, a saúde de cerca de 323 milhões de pessoas com entre 10 e 24 anos de idade melhorou. Em contrapartida, as relações sexuais começam mais cedo hoje em dia.
O relatório sobre a população e o desenvolvimento do país, publicado em setembro, revelava que os jovens de hoje estão mais abertos ao sexo e que sua moral neste sentido está mudando, o que produziu um considerável aumento no número de gestações e abortos entre menores.
- A falta de uma educação sexual faz com que os adolescentes sejam mais vulneráveis à Aids -, destacou Liu Liqing, responsável pela organização britânica Marie Stopes.
Segundo os especialistas, os jovens chineses visitam com freqüência sites pornográficos para aprender mais sobre o sexo porque têm poucos recursos.
O primeiro livro sobre educação sexual editado na China foi publicado em 2002. A proibição imposta a anúncios de preservativos na televisão, que vigorou durante várias décadas, também só acabou recentemente no país.