O Exército da China vai reprimir qualquer grande medida em direção à independência de Taiwan, não importando o custo, disse um documento do governo divulgado nesta segunda-feira, que acusa o presidente taiwanês, Chen Shui-bian, de escalar a tensão.
O documento sobre defesa foi divulgado no momento em que o parlamento da China discute uma proposta de lei anti-separação que, segundo analistas, contém cláusulas que obrigam legalmente Pequim a adotar ação militar se a ilha que os chineses consideram uma província desgarrada declarar independência.
"Se autoridades de Taiwan chegarem ao ponto de adotar uma tentativa que constitua um incidente maior de 'independência de Taiwan', o povo chinês e as forças armadas vão reprimir com resolução e firmeza a qualquer custo", diz o documento.
Taiwan separou-se da China no final da guerra civil chinesa, em 1949, mas Pequim ainda considera a ilha autônoma de 23 milhões de habitantes como parte de seu território.
"A situação nas relações entre os dois lados do Estreito de Taiwan está amarga", diz o texto.
O documento afirma que ativistas do separatismo de Taiwan tornaram-se "a maior ameaça imediata" à soberania da China e à paz e estabilidade da região.
Chen vem irritando a China com medidas em direção à independência tomadas desde que assumiu o cargo, em 2000.
"As autoridade de Taiwan sob Chen Shui-bian mudaram o status quo de que ambos os lados do estreito pertencem à mesma China e escalaram de maneira acentuada as atividades de 'independência de Taiwan' destinadas à separação da China", diz o texto.
Mas as ambições sofreram um golpe neste mês, quando seu Partido Democrático Progressista não conseguiu maioria no parlamento, limitando seu poder de introduzir uma nova constituição que, segundo a China, seria mais um passo em direção à independência.
O documento também afirma que os Estados Unidos mandaram sinais errados para Taiwan.
Washington mudou seu reconhecimento diplomático de Taipé para Pequim em 1979, mas é obrigada por lei a ajudar Taiwan a se defender. Os EUA são os maiores fornecedores de armas da ilha.
"A ação dos EUA não serve para estabilizar a situação no estreito de Taiwan", afirma o texto, sem detalhar.
O documento afirma que é "responsabilidade sagrada" das forças armadas da China evitar que as forças de independência de Taiwan separem o país.
O comitê permanente do parlamento da China elogiou a proposta de lei contra a separação e sugeriu por unanimidade que seja submetida à sessão do parlamento no começo do próximo ano.
Mas o documento afirma que há perspectiva de negociações com Taiwan se os líderes aceitarem o princípio de "uma China".
"As negociações podem ser realizadas a qualquer momento sobre o fim oficial do estado de hostilidade entre os dois lados, incluindo o estabelecimento de um mecanismo de construção de confiança no campo militar."
O documento sobre defesa, o primeiro da China desde 2002, descreveu a modernização das forças militares da China nos últimos dois anos, dizendo que o país não representa ameaça a ninguém.
"A China confiará em sua própria força para o desenvolvimento, e portanto não representa obstáculo ou ameaça para ninguém."