A governo Chinês deu voz de prisão, nesta quinta-feira, a Hu Jia, um dos principais ativistas de seu país, que vinha denunciando a violação chinesas dos direitos humanos e a quebra dos compromissos selados durante sua escolha como sede dos Jogos Olímpicos deste ano.
Hu é um dos mais destacados combatentes chineses na luta pelos direitos humanos e das causas ambientais, sendo também um dos principais nomes na busca pelos direitos das pessoas infectadas com o HIV
A União Européia (UE) já exigiu a libertação imediata do ativista chinês de 34 anos.
- Nós dissemos muito claramente antes do julgamento que ele nunca deveria sequer ter sido detido e que deveria ser libertado de imediato, e essa continua sendo a nossa posição - disse à Agência portuguesa Lusa William Fingleton, porta-voz da representação da UE em Pequim.
Hu Jia e sua mulher, Zeng Jinyan, foram premiados pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) que, juntamente com outras organizações, como a Amnistia Internacional (AI), tem apelado repetidamente à sua libertação imediata. No ano passado, Hu foi nomeado para o prêmio Sakarov, atribuído pelo Parlamento Europeu a defensores dos direitos humanos.
Os grupos internacionais de defesa dos direitos humanos acusam a China de estar prendendo os principais ativistas do país para evitar manifestações e protestos durante as Olimpíadas. Outro dissidente, Yang Chunlin foi condenado a cinco anos de prisão por divulgar uma carta aberta sob o título: "Queremos direitos humanos, e não os Jogos Olímpicos".
- As acusações de subversão contra o expressar pacífico de opiniões não estão de acordo com o Pacto Internacional das Nações Unidas sobre Direitos Civis e Políticos, que o governo chinês se comprometeu a respeitar - considerou o porta-voz da UE em Pequim.
Acusação
Li Fangping, advogado de Hu Jia, afirmou aos jornalistas, à porta do tribunal, que a sentença de “incitamento à subversão” se baseia no fato de que Hu publicou artigos na internet contra o governo chinês e deu entrevistas a jornalistas estrangeiros.
- As provas eram os artigos publicados dentro e fora da China e o fato de Hu ter dado entrevistas à imprensa estrangeira - afirmou Li Fangping aos jornalistas.
Mesmo em prisão domiciliar durante todo o ano passado, ele e sua mulher continuaram a publicar matérias na imprensa denunciando os abusos do governo Chinês.
Repressão
A RSF e AI dizem que a proposta da China de calar a voz de seus críticos, para manter uma boa imagem durante os jogos, viola as promessas que a China fez quando apresentou sua candidatura à organização das Olimpíadas. O país havia dito que mudaria sua política em matéria de direitos humanos.
O primeiro-ministro chinês Wen Jiabao negou no mês passado que Pequim esteja tocando uma campanha de repressão contra os dissidentes.
- Quanto aos críticos que afirmam que a China está aumentando esforços para prender os dissidentes antes dos Jogos Olímpicos, penso que essas acusações são totalmente infundadas -disse Wen aos jornalistas, acrescentando que “isso está fora de questão”.
A sentença de Hu é divulgada duas semanas após outro crítico do regime chinês, Yang Chunlin, ter sido condenado a cinco anos de prisão sob acusações semelhantes.