As exportações brasileiras para a China, que tiveram crescimento de 78% no ano passado, totalizando U$4,53 bilhões, poderão se expandir ainda mais, ultrapassando os principais produtos da pauta, que são hoje soja, ferro e aço, segundo disse à Agência Brasil o economista Fernando Puga, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES).
A China já é o 3o. maior importador do Brasil, tendo encostado na Argentina, mas ainda está distante dos Estados Unidos, que lideram o destino das exportações brasileiras, com 25% do comércio.
Fernando Puga afirmou que há boas possibilidades de crescimento das exportações do Brasil para o mercado chinês não só em aços mais elaborados, de maior valor adicionado, mas também em pedaços de frango congelados, segmento onde o Brasil é bastante competitivo e exporta pouco para a China.
O consumo de frango per capita na China, da ordem de 9 quilos por ano, ainda é baixo em relação ao Brasil, onde os números revelam 32 quilos/ano por habitante. Ele observou que desde 1990, porém, esse volume triplicou, tendo passado de 3 quilos/ano por pessoa para os atuais 9 quilos/ano. Se comparados ao consumo per capita de 41 quilos/ano registrado em Hong Kong, verifica-se a potencialidade de expansão do produto brasileiro na China, indicou o economista do BNDES.
No setor siderúrgico, as vendas do aço brasileiro para a China mostraram expansão de quase 500%, alcançando U$750 milhões, o que levou a China a subir da 6a. para a 2a. posição entre os destinos das exportações brasileiras de aço.
A tendência é de aumento também nas áreas de compressores, autopeças, celulose (em que o Brasil já exporta) e também de aviões. Fernando Puga explicou que a demanda atual na China é por aviões de porte grande, que a Embraer não fabrica. Salientou, entretanto, que com os investimentos que estão sendo feitos pelos chineses em infra-estrutura aeroportuária, a tendência é de crescimento da importação de aeronaves de porte médio, como os construídos pela Embraer.
As relações entre o Brasil e a China e as potencialidades de intercâmbio e ampliação da parceria bilateral serão tema de debate duirante seminário que o BNDES promove na próxima segunda-feira (26), em sua sede, no Rio de Janeiro. O evento será aberto às 9h30m pelo Ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e o Presidente do banco, Carlos Lessa, além do Secretário-Geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, e os embaixadores dos dois países.
Fernando Puga participará do painel 4, que tratará do comércio Brasil/China.
China poderá importar mais produtos do Brasil
Sábado, 24 de Abril de 2004 às 07:38, por: CdB