Os chineses da cidade de Chongqing, bombardeada pelas Forças Aéreas do Japão durante a Segunda Guerra Mundial, vão pedir nos tribunais japoneses que Tóquio lhes pague uma indenização pelos doze mil mortos nesses ataques, informa neste domingo, a imprensa oficial.
Um representante dos sobreviventes desses bombardeios, sofridos entre fevereiro de 1938 e agosto de 1943, reuniu-se com advogados chineses e japoneses para preparar o processo e apresentá-lo aos tribunais de Tóquio.
A cidade de Chongqing, no curso médio do rio Yangtse, foi capital provisória da China durante a invasão japonesa (1933-45), por isso se tornou um dos principais alvos dos bombardeiros japoneses, ficando quase totalmente arrasada no fim do confronto.
Entre os advogados dos sobreviventes está o japonês Keichiro Ichinose, que defendeu há alguns anos nos tribunais as vítimas chinesas da guerra química e bacteriológica japonesa.
Ambos os governos concordaram com a possibilidade de apresentar este tipo de processo individual através do comunicado conjunto assinado por Pequim e Tóquio em 1972, com o qual os dois países normalizaram as relações diplomáticas.
A invasão japonesa à China continua sendo foco de tensões entre os governos de Pequim e Tóquio, já que o governo chinês e a opinião pública acreditam que o Japão se nega a admitir as atrocidades cometidas durante a guerra ou a compensar as vítimas.
Um dos últimos incidentes relacionados com este turbulento passado ocorreu no final de 2003, no nordeste da China, quando recipientes com armas químicas, abandonados pelas tropas japonesas ao término da guerra, abriram-se por acidente e intoxicaram 13 pessoas, matando a uma delas.
São também freqüentes motivos de tensão entre ambos os países as visitas do primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, ao santuário onde se encontram alguns criminosos de guerra japoneses e certos livros japoneses que negam alguns dos massacres cometidos pelas tropas do Japão na China.