Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

China nega nomeação de bispo sem aval do Vaticano

Quarta, 29 de Junho de 2005 às 07:38, por: CdB

Autoridades religiosas da China negaram nesta quarta-feira que o Vaticano, que não mantém relações diplomáticas com a China, tenha aprovado a nomeação de um bispo.

Uma agência de notícias católica especializada na China disse na terça-feira que a nomeação governamental de um bispo para Xangai foi apoiada pela Santa Sé, o que seria um sinal de melhoria das relações bilaterais. Fontes da Igreja não foram localizadas para comentar o assunto nesta quarta-feira.

Em Pequim, Liu Bainian, da Associação Católica Patriótica da China, lembrou que seu país e o Vaticano não mantêm relações diplomáticas e que, "portanto, não se pode dizer que tenha havido esse tipo de contato com a Igreja chinesa".

O regime comunista chinês, oficialmente ateu, tradicionalmente proíbe o Vaticano, que reconhece a independência de Taiwan, de nomear oficialmente os bispos do país, por considerar isso uma interferência em seus assuntos internos.

Isso levou ao surgimento de dois catolicismos, um formado por padres ligados ao Vaticano, que atuam clandestinamente, e outro de clérigos "oficiais," que apóiam o governo. Os católicos também precisam se filiar às "associações patrióticas" se quiserem praticar sua fé abertamente.

Liu disse que a nomeação de Joseph Xing Wenzhi como bispo-auxiliar de Xangai recebeu amplo apoio.

- A voz do povo é a voz de Deus. Acreditamos que o Vaticano não iria se opor - disse ele.

Um funcionário do Comitê de Assuntos Étnicos e Religiosos de Xangai, que pediu anonimato, disse que a nomeação de terça-feira nada tem a ver com o Vaticano.

- Sua eleição foi aprovada pelas autoridades religiosas do governo de Xangai, e sua indicação foi feita em concordância com as leis da China - afirmou.

O bispo Joseph Zen, de Hong Kong, elogiou a nomeação, pois considera que Xing "tem bastante confiança de ambas as partes Pequim e Vaticano," e disse que a Santa Sé deu seu aval de antemão.

- Roma sabia que este candidato era aceitável tanto para a Igreja clandestina quanto para a oficial - disse Zen.

 

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