A China não vai criar obstáculos sanitários para a entrada de produtos brasileiros em seu mercado nem tomar medida que prejudique as relações comerciais sino-brasileiras. A afirmação é do diretor do Ministério da Quarentena da China, Liu Yang Bing, ao receber a missão brasileira encarregada de concluir os acordos sanitários relativos à soja e seus produtos associados, além de definir a mútua abertura do mercado de frutas.
Segundo Flávio Trigueirinho, secretário da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), as autoridades chinesas se "mostraram muito flexíveis em relação aos problemas enfrentados pelo Brasil na área sanitária e não devem criar qualquer tipo de obstáculo aos produtos nacionais".
A declaração de Trigueirinho foi ratificada por Gilson W. Consenza, assessor do Departamento de Defesa de Inspeção Vegetal do Ministério da Agricultura.
- As autoridades chinesas garantiram que não vão rechaçar nenhuma carga por causa do nível de hexano no óleo de soja. Ao mesmo tempo, vamos discutir a questão dos níveis de Carboxin nos grãos, pois o produto também está sendo empregado na pulverização para combater a ferrugem.
Consenza refutou as notícias de que a China estaria criando grandes obstáculos para a importação da soja transgênica brasileira.
- Não há nada disso. Recebemos a documentação enviada por e-mail pelo governo brasileiro e o entreguei pessoalmente ao Birô de Segurança Alimentar da China.
A entrega da documentação deve sepultar as dúvidas que nutre o mercado acerca da expedição de certificados para os importadores chineses.
- Temos convicção de que não haverá nenhum problema tanto para os exportadores brasileiros quanto para os importadores chineses. Agora é só uma questão de tramite burocrático - afirmou Trigueirinho.
Os preços internacionais da soja devem ficar em torno de US$ 210 em 2005, disse Trigueirinho.
- A supersafra americana já está influenciando o mercado internacional. Mas acreditamos num grande desempenho das exportações do setor neste ano e estaremos efetuando os primeiros embarques a partir de fevereiro.
Frutas
Consenza também afirmou que os dois países abrirão seus respectivos mercados para frutas. As exportações brasileiras deverão ser pautadas por maçãs, uvas e cítricos, contra importações de maçãs (produzida em estação diferente do Brasil), pêras e cítricos chineses.
- A lichia ainda não entrará na pauta, pois os chineses não traçaram uma estratégia de mercado. Assim que acharem conveniente, faremos a análise de risco.
China não vai criar obstáculos sanitários a produtos brasileiros
Quinta, 20 de Janeiro de 2005 às 13:47, por: CdB