Os líderes da China interpretaram nesta segunda-feira o discurso inaugural do presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, como uma referência velada à independência e disseram que o governo chinês estava disposto a pagar qualquer preço para detê-lo, incluindo até perder os Jogos Olímpicos de 2008.
Em seu discurso do último dia 20 deste mês de maio, Chen descartou a adoção de qualquer medida imediata rumo a uma independência formal da ilha capitalista e pediu pela melhoria dos laços com os chineses. As palavras dele visavam a acalmar a China e os EUA.
Enquanto os norte-americanos davam sinais de terem recebido bem o pronunciamento, Chen parece ter fracassado totalmente no que diz respeito a Pequim.
A China lançou uma nova campanha internacional para pressionar o líder de Taiwan, ilha que os chineses consideram uma Província renegada a ser reunificada pela força, se necessário.
"Apesar de, em seu discurso, ele não ter feito referência às palavras 'um país de cada lado', o conteúdo de todo o pronunciamento tratava claramente do status de Taiwan na qualidade de um país independente", afirmou Zhang Mingqing, porta-voz da Agência da China para os Assuntos de Taiwan.
"A raiz das tensões no estreito de Taiwan não foi eliminada. O perigo em relação à paz e à estabilidade na região do Pacífico asiático continua a existir."
A China e a ilha capitalista desentendem-se desde 1949, quando os nacionalistas fugiram para Taiwan depois da guerra civil com os comunistas.
Um porta-voz do governo de Taiwan descreveu como ineficientes os comentários de Zhang.
"Os comentários da Agência para os Assuntos de Taiwan não foram construtivos", afirmou Chen Chi-mai.
O governo chinês prometeu colocar sua unidade territorial acima de tudo, incluindo os Jogos Olímpicos a serem realizados em 2008, em Pequim, disse o porta-voz. "Se Chen Shui-bian ousar desafiar a população, nós salvaguardaremos nossa soberania e nossa integridade territorial a qualquer custo."