Rio de Janeiro, 03 de Maio de 2026

China luta contra maior crise hídrica do mundo

Terça, 01 de Novembro de 2005 às 11:27, por: CdB

A China luta para superar o que um vice-ministro qualificou como a pior crise hídrica do mundo, motivada por uma seca generalizada, pela poluição, pelo rápido crescimento econômico e pelo desperdício, disse o jornal China Daily na terça-feira.

A disponibilidade de água per capita na China é cerca de um quarto da média mundial e deve cair ainda mais, segundo a reportagem.

- A China enfrenta uma crise hídrica mais severa e urgente do que qualquer país no mundo, disse o vice-ministro da Construção, Qiu Baoxing, ao jornal. - Temos de resolver esse problema antes que seja tarde demais.

Menos da metade da água usada nas cidades chinesas é tratada e reciclada, cifra que o governo pretende elevar para até 70 por cento dentro de cinco anos, disse Qiu em entrevista coletiva na segunda-feira.

Segundo Qian Yi, professor de Engenharia Ambiental na Universidade Tsinghua, vazamentos nas tubulações roubam 20 por cento da água fornecida às cidades do país. Além disso, a poluição nos rios faz com que grande parte da água não seja aproveitável.

- A miopia no desenvolvimento econômico, acompanhada pela destruição ambiental, ainda é generalizada na China, disse Qian.

Várias cidades da próspera província de Guangdong (sul) sofrem racionamentos devido a meses de secas que destruíram lavouras, secaram rios e açudes e permitiram que a água salgada subisse os cursos hídricos e contaminasse a água potável, segundo o China Daily.

A seca em Guangdong deve continuar, com pouca chuva prevista até a primavera (no Hemisfério Norte). O problema, segundo o diário, está avançando para a populosa região do delta do rio Pérola, importante centro industrial.

A China sofre fortes secas todos os anos, embora o sul seja mais frequentemente vítima de inundações provocadas por tufões.

Na região de Guangxi, maior produtora de açúcar do país, os meses de seca ameaçam a atual colheita. O rio Lijiang, popular destino turístico, secou dramaticamente em alguns trechos, de acordo com o Diário do Povo, acrescentando que entre julho e outubro a região recebeu apenas metade das chuvas normais nesta época.

 

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