A China solicitará que a Unidade 731, o local chinês onde o exército japonês experimentou armas químicas e bacteriológicas, faça parte da lista do Patrimônio Mundial da Humanidade da Unesco, informa, nesta terça-feira, a imprensa oficial.
- Vamos solicitar esse status para que mais gente no mundo conheça a verdade e lembre as barbaridades que causam as guerras" - declarou Wang Peng, um responsável do museu que mostra as ruínas da Unidade 731.
O local, 20 quilômetros ao sul de Harbin, capital da província chinesa de Heilongjiang, no extremo nordeste do país, é um memorial que mostra como médicos militares e soldados japoneses utilizaram civis para seus experimentos.
O jornal governista chinês China Daily defende hoje a proposta -que significaria levar a disputa histórica entre China e Japão à Unesco-argumentando que não seria a primeira vez que ruínas da II Guerra Mundial fazem parte do Patrimônio Mundial dessa organização dependente da ONU.
De fato, o campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia, foi um dos primeiros locais a entrar na lista, em 1979, e o Memorial pela Paz de Hiroshima, que lembra a bomba atômica que atingiu a cidade japonesa em agosto de 1945, foi incluído no patrimônio da Unesco em 1996.
Entre 1939 e 1945, nas dependências desta ultrasecreta Unidade 731, que constava de 150 edifícios, duas prisões e três crematórios, morreram 3.000 pessoas que sofreram os citados experimentos, em sua maioria chineses mas também russos, mongóis e coreanos.
Os estudos incluíram a inoculação em humanos de bacilos da peste bibônica, antraz, cólera ou tifo, a tortura de presos para comprovar sua resistência à dor ou a exposição de réus nus no inverno (com temperaturas de até 40 graus abaixo de zero) para analisar os sintomas de congelamento.
Os experimentos permitiram ao exército japonês desenvolver armas químicas e biológicas, que foram usadas pela primeira vez contra a população civil na China e mataram mais de 200.000 pessoas.
Este tipo de experimentos não aparecem ou são maquilados pelos últimos livros para estudantes japoneses aprovados por Tóquio no começo de abril, manuais que desataram a ira na sociedade chinesa e manifestações de dezenas de milhares de cidadãos contra o Japão em cidades de todo o país.
As atrocidades da Unidade 731 não foram descobertas até 1945, quando os japoneses derrotados na II Guerra Mundial abandonaram e destruíram com explosivos o lugar, deixando apenas as ruínas e alguns restos de bombas químicas.
- A Unidade 731 teria conseguido ter a capacidade de apagar o ser humano do planeta se tivesse continuado a produção de armas durante mais tempo - assegurou Wang em declarações à agência oficial Xinhua.
Nos últimas décadas foram sendo encontradas armas químicas no nordeste da China, a zona do país que permaneceu mais tempo ocupada pelos japoneses, e em algumas ocasiões esses artefatos produzem graves intoxicações (centenas de pessoas morreram por esta causa desde 1945 até agora).
Os responsáveis pela manutenção da Unidade 731 começaram os preparativos para apresentar a solicitação à Unesco em 2002, embora o anúncio tenha sido nos últimos dias de máxima crise entre Tóquio e Pequim, a pior em 30 anos.
Os dois países também se enfrentam pela aspiração japonesa de fazer parte do Conselho da Segurança da ONU como membro permanente, algo ao que a China se opõe.
Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026
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