Autoridades chinesas fecharam uma escola para órfãos da Aids na Província de Henan, região onde muitos agricultores foram contaminados com a doença devido a um esquema de venda de sangue na década passada, disse nesta segunda-feira um ativista da causa de combate à epidemia.
A informação foi dada pouco depois de o governo chinês ter prometido dar tratamento gratuito para as pessoas contaminadas pelo HIV e prover educação para as crianças deixadas órfãs pela doença.
Na semana passada, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou que a Aids tinha se disseminado para todos os níveis da sociedade chinesa e que o país mais populoso do mundo precisava fazer todo o possível para enfrentar a epidemia.
Li Dan, um ativista de combate à Aids, disse que autoridades entraram na Escola Orquídea, localizada na cidade de Shangqiu (região central de Henan), no dia 7 de julho e ordenaram seu fechamento.
Foi dado aos funcionários e aos estudantes do local um prazo de 15 minutos para fechar a escola. "Eles nos disseram que nós tínhamos dado muitos problemas e nos disseram que abandonássemos o prédio em 15 minutos", afirmou Li, 26, que abriu a escola no final do ano passado.
"Os estudantes ficaram todos surpresos e nós os levamos rapidamente para o alojamento dos professores, perto dali", contou Li à Reuters durante a 15a Conferência Internacional de Aids, realizada em Bangcoc (capital da Tailândia).
Todos os 22 estudantes da Escola Orquídea são pobres demais para conseguir pagar pelas taxas de outras escolas, disse Li. Os planos de registrar a escola oficialmente esbarravam desde o final de outubro na burocracia, acrescentou o ativista.
Mas as autoridades haviam ignorado o problema, permitindo que a escola continuasse funcionando. Essa postura mudou quando Li lhes informou que participaria da conferência sobre Aids em Bangcoc.
"Acho que eles decidiram fechar a escola porque não queriam que eu viesse para Bangcoc com um status oficial, como alguém que dirigisse uma escola para órfãos da Aids", afirmou Li.