Rio de Janeiro, 06 de Setembro de 2026

China exige medidas concretas para perdoar o Japão

Sábado, 23 de Abril de 2005 às 16:36, por: CdB

O presidente da República Popular da China, Hu Jintao, exigiu hoje que o primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, tome "medidas concretas" para corrigir as "ações errôneas" das últimas semanas.

Na reunião que os dois líderes asiáticos tiveram após o encerramento da Cúpula Ásia-África, num luxuoso hotel de Jacarta, o presidente chinês apresentou um programa de cinco pontos que o Japão deve respeitar para ganhar o perdão da China.

Entre eles, Hu pediu que o Japão "veja a história como um espelho" e que o "profundo remorso" expressado por Koizumi durante seu discurso no plenário da Cúpula Ásia-África se transforme em medidas concretas.

"Os japoneses não devem fazer nada que afete o povo da China", disse, após a reunião, o porta-voz de Hu Jintao, Qing Kong.

Hu exigiu que o primeiro-ministro japonês não mude em nada a política de "uma só China", em relação a Taiwan. O presidente chinês disse acreditar que, no futuro, os dois países chegarão a um consenso através de um diálogo franco.

A adoção dessas medidas e o "respeito dos compromissos adquiridos em 1972", ano em que Japão e China restabeleceram laços diplomáticos, permitirão que as relações sejam estáveis e pacíficas.

A delegação chinesa convidou o primeiro-ministro japonês a ir até o hotel onde está Hu Jintao, que o deixou esperando antes de entrar na reunião, gesto interpretado como uma humilhação ao governante.

Koizumi insistiu, após a reunião, que o Japão deve se "concentrar em promover as boas relações com a China".

O primeiro-ministro se negou a discutir cada ponto concreto da atual controvérsia com a China, deixando a responsabilidade por isso para seu ministro de Assuntos Exteriores. No entanto, Koizumi pediu atenção para os fatos do presente, em vez de para as feridas do passado.
"China e Japão necessitam agora mais do que nunca um do outro", disse o primeiro-ministro japonês, em entrevista coletiva.

Hu Jintao adotou um tom conciliador durante a reunião, mas ao mesmo tempo agressivo. O presidente chinês deixou claro que o Japão deverá se esforçar para que as relações bilaterais sejam pacíficas.

Um dos pontos principais de Hu foi sua insistência de que se sente ofendido pelas recentes visitas de membros do governo japonês aos santuários onde o Japão honra seus heróis do período da invasão da China; confronto que deixou 35 milhões de mortos.

Em relação às exigências de Koizumi a Hu Jintao sobre compensações pelos ataques a seus interesses na China, o líder chinês disse que a reunião de hoje não era o momento para tratar sobre esse assunto.

Com ironia, Qing declarou que o tom da reunião "foi cândido", o que confirma a importância que ambos os líderes dão às relações bilaterais.

Após se reunir com Koizumi, Hu conversou com o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, cujo papel mediador foi fundamental para que a reunião de hoje entre os dois governantes.

Os chineses só aceitaram se reunir com os japoneses depois que Koizumi disse ontem, na sessão inaugural da cúpula, que sentia o mais "profundo remorso" pela crueldade das ações bélicas do colonialismo japonês, o que se entendeu como a desculpa que China vinha exigindo há dias.

As relações entre os dois países se deterioraram há várias semanas, quando o Japão publicou livros de texto oficiais nos quais a invasão japonesa da China era maquiada.

Além disso, a relação piorou quando a China disse se opor a uma possível candidatura do Japão ao Conselho de Segurança da ONU como membro permanente, e quando o país outorgou permissão a várias empresas japonesas para explorar campos petrolíferos onde atualmente operam firmas chinesas.

As diferenças entre Pequim e Tóquio centraram a atenção da Cúpula Ásia-África, encerrada hoje, em Jacarta. As relações bilaterais eclipsaram o resto dos discursos da reunião com representantes de cerca de cem nações dos dois continentes. 

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