China exige explicações dos EUA sobre vigilância na Internet
A China fez nesta segunda-feira seus primeiros comentários substanciais sobre os programas de vigilância dos EUA na Internet, exigindo que Washington preste explicações à comunidade internacional.
O governo chinês não havia comentado diretamente o caso, limitando-se a repetir sua posição habitual de que a China é um dos países mais vitimados por ataques de hackers
A China fez nesta segunda-feira seus primeiros comentários substanciais sobre os programas de vigilância dos EUA na Internet, exigindo que Washington preste explicações à comunidade internacional.
- Acreditamos que os Estados Unidos deveriam prestar atenção às preocupações e exigências da comunidade internacional, e dar à comunidade internacional a explicação necessária - disse Hua Chunying, porta-voz da chancelaria chinesa.
Um ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional dos EUA revelou a dois jornais que o governo norte-americano monitorava a atividade telefônica e via Internet de milhões de pessoas. O autor da denúncia, Edward Snowden, se refugiou em Hong Kong, território chinês semiautônomo, onde pode ser alvo de um processo de extradição dos EUA.
Até agora, o governo chinês não havia comentado diretamente o caso, limitando-se a repetir sua posição habitual de que a China é um dos países mais vitimados por ataques de hackers.
Uma fonte ligada à liderança do Partido Comunista disse que a China optou pelo silêncio porque não quis ameaçar a recente melhora nas suas relações com o Ocidente.
Em entrevista na semana passada ao jornal South China Morning Post, de Hong Kong, Snowden disse que os EUA espionaram vastamente alvos na China e em Hong Kong.
Na sua conversa diária a jornalistas, a porta-voz Hua qualificou de "puro absurdo" uma insinuação de que Snowden seria um espião a serviço da China.
Em pesquisa feita pelo site do popular tabloide Global Times, publicado pelo Partido Comunista chinês, 98% dos participantes disseram que a China deveria se negar a devolver Snowden para os EUA.
- Ao contrário de um criminoso comum, Snowden não fez mal a ninguém. Seu ‘crime' foi denunciar as violações do governo dos EUA aos direitos civis - disse o jornal em editorial.
- Suas denúncias são de interesse público. Portanto, extraditar Snowden para os EUA seria não só uma traição da confiança de Snowden, mas uma frustração para as expectativas do mundo. A imagem de Hong Kong seria maculada para sempre.
Grã-Bretanha espionou autoridades do G20
A Grã-Bretanha interceptou ligações telefônicas e monitorou computadores utilizados por autoridades que participaram de duas reuniões financeiras internacionais de alto nível em Londres em 2009, disse um jornal britânico no domingo.
O Guardian disse que alguns delegados de países do Grupo dos 20 que compreende as principais economias do mundo usaram cibercafés que tinham sido preparados por agências de inteligência britânicas para ler seus emails.
A reportagem foi publicado horas antes de os líderes do Grupo dos Oito que fazem parte do G20 iniciarem uma reunião de cúpula de dois dias na Irlanda do Norte.
O Guardian disse que viu documentos confidenciais que detalham o monitoramento secreto realizado pela inteligência britânica durante uma reunião de cúpula dos líderes do G20 e numa reunião de ministros das finanças em 2009, e sugeriu que a vigilância for ordem do alto escalão do governo do então primeiro-ministro Gordon Brown.
Um porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha se recusou a comentar a reportagem. O Partido Trabalhista, que ocupava o poder em 2009, não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.
Neste mês o Guardian relatou detalhes do sistema de vigilância da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) através de registros telefônicos e dados de Internet nos Estados Unidos. O jornal disse que as provas estavam contidas em documentos que foram vazados pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden e vistos pelo Guardian.
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