Rio de Janeiro, 17 de Setembro de 2026

China estuda apoio ao Brasil no Conselho de Segurança da ONU

Segunda, 17 de Maio de 2004 às 11:10, por: CdB

A China estuda apoiar o Brasil na reivindicação de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organizações das Nações Unidas).

"A China tem muita simpatia por isso, tem interesse em debater o assunto. A China apóia o fato de o Brasil querer desempenhar um papel maior nas Nações Unidas", disse a jornalistas nesta segunda-feira o embaixador da China no Brasil, Jiang Yuande.

O embaixador evitou dizer se o governo chinês já tomou essa decisão, mas avalia que a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acontecerá entre 23 e 27 deste mês, possa impulsionar as conversações. Atualmente, o Brasil ocupa uma posição temporária no Conselho, com permanência de dois anos.

Segundo Yuande, a viagem do presidente também vai impulsionar o intercâmbio comercial entre os países, mas ainda sem falar em acordos de livre comércio.

"A China tem muito interesse na cooperação com o Brasil e com o Mercosul. Mas neste momento estamos estudando acordos de livre comércio apenas com países asiáticos. Em relação ao Brasil, existe interesse de se chegar neste tipo de acordo no futuro, mas não agora", acrescentou.

O embaixador admitiu que uma das dificuldades em se fechar acordos com o Mercosul tem relação com a situação do Paraguai. O país, parceiro do Brasil no Mercosul, não tem relações bilaterais com a China pois aceita auxílio financeiro de Taiwan, rival político histórico da China.

"A China tem uma política internacional que busca reduzir divergências e evitar confrontos... Penso que isso (o apoio de Taiwan ao Paraguai) não é um empecilho, mas precisa ser negociado", afirma.

A aproximação comercial entre China e Brasil faz parte dos planos dos dois países de construir um eixo de comércio entre os países do hemisfério sul, uma maneira de criar uma força comercial que possa competir de igual para igual com os Estados Unidos e União Européia.

FALTA AGRESSIVIDADE DE BRASILEIROS

O governo chinês acredita que falta agressividade aos empresários brasileiros para divulgar seus produtos e aumentar os negócios com a China.

Segundo o embaixador chinês, produtos como a carne e o café brasileiros são pouco conhecidos no mercado chinês e têm grande potencial para crescer.

"Os chineses conhecem a carne australiana e o café colombiano, mas não se ouve falar dos produtos brasileiros... Os empresários brasileiros são muito tímidos neste sentido, precisam ser mais agressivos ao fazer propaganda", disse o embaixador Yuande.

Ele admite que a falta de regras sanitárias entre os dois países tem dificultado novos acordos comerciais destes produtos, mas confirma que, durante a vista de Lula, existe a intenção de fechar um acordo neste sentido.

Yuande disse ainda que, mesmo assim, a China já importa carne e café do Brasil, mas poderia importar muito mais. "Os chineses mais jovens estão descobrindo o café e as churrascarias, mas ainda existe pouca oferta", afirma.

Segundo Yuande, os chineses chegam a pagar dez dólares por uma xícara de café. "O mercado é grande, é só divulgar o produto", acrescenta o embaixador, afirmando que, os empresários que irão à China acompanhar o presidente devem estar atentos às oportunidades.

Lula vai à China com a maior delegação presidencial que já o acompanhou. São cerca de 500 empresários cadastrados pela embaixada até agora, além de oito ministros e seis governadores.

O comércio entre os dois países movimentou 2,2 bilhões de dólares no primeiro trimestre deste ano. Até o final de 2004, o Brasil espera movimentar 10 bilhões de dólares, contra cerca de 6,8 bilhões de dólares em 2003.

Quanto às exportações chinesas para o Brasil, Yuande confirmou o interesse de o governo chinês investir em infra-estrutura em troca de produtos de interesse chinês como a soja e minério de ferro.

O investimento em infra-estrutura é um dos mais procurados pelo governo brasileiro, que quer reabilitar a malha ferroviária para poder facilitar o escoamento das exportações.

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