A China superou com facilidade sua meta de crescimento em 2009, após uma forte performance no quarto trimestre que abre espaço para mais aperto monetário e coloca o país no caminho para superar o Japão como segunda maior economia do mundo. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 10,7% no quarto trimestre sobre igual período do ano anterior, ligeiramente abaixo da previsão do mercado de 10,9%, mas superior ao dado revisado para cima de 9,1% no terceiro trimestre.
O maior crescimento em dois anos alimentou expectativas de que Pequim eleve a taxa de juros nos próximos meses após uma série de medidas menores tomadas para conter o excesso de empréstimos e evitar um superaquecimento. Em 2009 como um todo, a economia cresceu 8,7%, excedendo a meta do governo de 8%. O dado do quarto trimestre foi impulsionado em parte pela fraca base de comparação em 2008, quando a economia sofria com os efeitos da crise financeira mundial, mas reflete também a rápida resposta do governo à turbulência.
A agência nacional de estatísticas também divulgou nesta quinta-feira que os preços ao consumidor subiram 1,9% em dezembro na comparação anual, marcando uma aceleração sobre a alta de 0,6% em novembro. As vendas no varejo subiram 17,5% em dezembro na comparação anual, ante avanço de 15,8% em novembro e previsão do mercado de 16,4%. O crescimento da produção industrial desacelerou para 18,5% em dezembro, ante 19,2% e previsão de 20%.
Reação
As principais bolsas asiáticas fecharam divididas nesta quinta-feira, com os investidores preocupados de que a China possa tomar mais medidas para conter seu aquecimento depois de divulgar o crescimento trimestral mais forte em dois anos. O índice MSCI que reúne bolsas de valores da região Ásia-Pacífico exceto Japão registrava queda de 1,3%, para 415 pontos, às 8h06 (horário de Brasília).
A bolsa de Tóquio ganhou cerca de 1,2%, a 10.868 pontos, com um iene mais estável e sentimento positivo sobre o setor de tecnologia, apesar dos ganhos terem sido contidos pela cautela com a China. No quarto trimestre, o PIB chinês subiu 10,7% contra igual período do ano anterior, abaixo das expectativas do mercado de 10,9%, mas acima dos 9,1% do terceiro trimestre.
– Obviamente o crescimento na comparação mensal passa por um momento muito forte – disse Xing Ziqiang, economista na CICC em Pequim.
Alguns investidores temem que a medida da China possa impedir uma recuperação global, ainda frágil, e conter uma demanda por commodities e outros bens importados.
Na Coreia do Sul, o índice da bolsa de Seul subiu 0,45%, para 1.722 pontos. Ações do setor de tecnologia também ajudaram o mercado sul-coreano, com a LG Display e a Hynix Semiconductor subindo com as perspectivas positivas para o primeiro trimestre.
Em Xangai, a bolsa subiu 0,22%, em 3.158 pontos, recuperando-se ante uma queda de quase 3% na véspera. Contudo, em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,99%, para 20.862 pontos com temores sobre mais medidas do governo chinês, particularmente qualquer nova ação que possa ser anunciada para conter o aquecimento do mercado imobiliário. Na Austrália, a bolsa de Sydney perdeu 0,84%, para 4.827 pontos. Taiwan apurou desvalorização de 1,13% e Cingapura teve queda de 1,46%.