A China disse nesta segunda-feira que ainda há fortes divergências entre Estados Unidos e Coréia do Norte a respeito do programa nuclear norte-coreano, enquanto a Rússia pediu a todas as partes envolvidas que sejam flexíveis nas negociações marcadas para o final do mês.
Pequim e Moscou, que apoiaram o Norte na Guerra da Coréia (1950-53), continuam sendo os maiores aliados do regime comunista de Pyongyang. Ambos confirmaram a realização das negociações, que devem envolver seis países na capital chinesa, mas disseram que ainda há detalhes para serem acertados.
A Rússia fará encontros bilaterais em separado com as negociações das duas Coréias em Moscou, na quarta-feira, mas diplomatas disseram que as delegações do Norte e do Sul não vão se encontrar.
Representantes das principais potências regionais realizam uma série de encontros nos últimos dias para tentar resolver a crise que começou em outubro, quando Pyongyang teria admitido suas ambições nucleares a Washington.
— Ainda há diferenças em ambos os lados, e algumas são muito sérias — disse o chanceler chinês, Li Zhaoxing, em entrevista coletiva em Tóquio.
A crise se agravou depois que a Coréia do Norte expulsou os inspetores nucleares da ONU, abandonou o Tratado de Não Ploriferação Nuclear e colocou em funcionamento um reator nuclear que estava lacrado.
— São grandes as esperanças de que as negociações com seis partes sejam bem-sucedidas, porque ela se encaixa nas esperanças comuns da região e dos países de todo o mundo — afirmou Li, que se encontrou com as principais autoridades japonesas.
O vice-chanceler russo, Alexander Losyukov, também discutiu a crise na segunda-feira com seu colega chinês, Wang Yi, que acaba de regressar de Pyongyang.
— As negociações, naturalmente, não serão fáceis — disse Losyukov à imprensa russa.
— Nós e nossos colegas chineses compreendemos que não é possível resolver todas as questões em uma só rodada de negociações.
Segundo ele, Rússia e China admitem que "o desarmamento na península é possível apenas caso haja um paralelo de ações por parte dos principais participantes das negociações".
— A situação quando um só lado impõe condições é contra-producente e leva a um impasse.
Pyongyang vinha exigindo negociações bilaterais e um pacto de não-agressão com os Estados Unidos, mas neste mês aceitou a inclusão de Japão, China, Rússia e Coréia do Sul.
— A Coréia do Norte está atualmente mostrando uma agradável flexibilidade. Nossos colegas chineses também vêem uma dinâmica positiva na posição da liderança norte-coreana — disse Losyukov.
A Rússia e a China podem oferecer à Coréia do Norte garantias de segurança para reforçar os compromissos norte-americanos, mas isso não significa que tropas russas estejam dispostas a ajudar os norte-coreanos em caso de conflito, segundo ele. Moscou abandonou em 1995 um pacto de defesa que mantinha com a Coréia do Norte.
A agência estatal de notícias norte-coreana disse nesta segunda-feira, sem dar detalhes, que uma delegação do país, chefiada pelo vice-chanceler Kung Sok-ung, deixou Pyongyang nesta segunda. A delegação do Sul é comandada pelo vice-chanceler Kim Jae-sup, atualmente em visita a São Petersburgo.
Enquanto isso, o chefe de gabinete do governo japonês, Yasuo Fukuda, encerrou uma visita de três dias à China dizendo que seu país planeja levantar na reunião a questão dos cidadãos japoneses que foram seqüestrados pela Coréia do Norte.
A Coréia do Norte já admitiu que seqüestrou 13 japoneses nas décadas de 1970 e 80, a fim de obrigá-los a treinar espiões. O governo local disse que oito desses reféns morreram. O regime comunista pediu desculpas pelo seqüestro e liberou os sobreviventes para voltarem ao Japão, mas o destino dos filhos dos reféns fragilizou ainda mais os contatos entre Tóquio e Pyongyang, que não mantêm relações diplomá