A China e a Rússia uniram-se na defesa de esforços diplomáticos para resolver a questão nuclear iraniana, disse o governo chinês nesta terça-feira, um dia depois de os dois países terem frustrado os esforços para que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) ameaçasse o Irã. Após mais de duas semanas de negociações, os cinco membros permanentes do órgão, China, Rússia, EUA, Grã-Bretanha e França, todos detentores de poder de veto, não conseguiram chegar a um acordo sobre uma declaração exigindo do Irã que suspenda as atividades relacionadas com o enriquecimento de urânio.
- A China e a Rússia compartilham a opinião sobre como resolver a questão nuclear iraniana - afirmou Qin Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em uma entrevista coletiva.
O Irã insiste que tem o direito de realizar pesquisas na área nuclear, mas potências ocidentais acreditam que o país tenta adquirir a capacidade de fabricar bombas atômicas.
- Nosso objetivo é resolver a questão de uma forma pacífica por meio de negociações - disse, enquanto os presidentes chinês, Hu Jintao, e russo, Vladimir Putin, reuniam-se em Pequim.
Qin disse que a China era favorável à proposta russa de permitir ao Irã usar o combustível nuclear produzido em uma usina instalada dentro da Rússia, aliviando os temores de que os iranianos possam desviar material atômico para desenvolver armas.
- Nas circunstâncias atuais, a proposta da Rússia é uma forma positiva de quebrar o impasse. Pedimos a todas as partes envolvidas que intensifiquem as negociações e que dêem mostras de flexibilidade - afirmou o porta-voz.
Tanto a Rússia quanto a China estão preocupadas com a interferência do Conselho de Segurança, que pode impor sanções. Os dois países temem que as ameaças acabem intensificando a crise e levando o Irã a cortar o contato com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Mas, chamando atenção para a necessidade de que um acordo seja atingido, o presidente dos EUA, George W. Bush, repetiu que seu país estava pronto para usar a força contra o Irã se isso for necessário.
- A ameaça representada pelo Irã é, claro, o objetivo declarado dele de destruir nosso fiel aliado Israel. Essa é uma ameaça. Uma ameaça séria. Trata-se de uma ameaça à paz mundial. Eu já deixei claro e vou deixar claro novamente que usaremos nossas Forças Armadas para proteger nosso aliado Israel - afirmou em um discurso feito em Cleveland.
Bush também citou mais uma vez o desejo de que o Conselho de Segurança envie uma mensagem ao país islâmico a "fim de dizer em alto e bom som aos iranianos que esse é um comportamento inaceitável". Os 15 países membros do órgão reúnem-se na terça-feira. Segundo um acordo selado em novembro de 2004 com a Grã-Bretanha, a França e a Alemanha (que negociavam em nome da União Européia), o Irã aceitou congelar as atividades relacionadas com o enriquecimento de urânio enquanto negociava a questão.
O acordo, porém, ruiu no ano passado e o país islâmico retomou, em agosto, as atividades na área.