A China e o Japão anunciaram neste domingo, depois de um encontro histórico entre os dois países, uma frente comum face à ameaça da realização de um ensaio nuclear por parte da Coréia do Norte, que não deverá acontecer antes do fim do ano, segundo peritos russos.
"As duas partes exprimem a sua profunda preocupação a propósito da situação recente na península coreana, incluindo a questão dos ensaios nucleares", refere um comunicado conjunto dos dois países, divulgado por ocasião da visita do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe à China. "As duas partes confirmaram que vão trabalhar em conjunto para dar um novo alento ao processo de conversações multilaterais (...) com o objectivo de travar o projecto nuclear na península coreana e garantir a paz e a estabilidade no nordeste asiático", refere o texto lido aos jornalistas pela delegação japonesa.
Esta declaração conjunta foi divulgada depois de um encontro entre Abe e o Presidente Hu Jintao e o primeiro-ministro Wen Jiabao. Mas, apesar do tom de unidade entre as duas partes, existem fortes divergências quanto à questão norte-coreana com o Japão a reclamar medidas "severas" e a China a apelar à "calma".
Antes da sua partida para Pequim, Abe afirmou que era preciso "impedir que os norte-coreanos fizessem um ensaio nuclear". "Se a Coreia do Norte não interromper os ensaios nucleares ficará cada vez mais isolada no seio da comunidade internacional", avisou.
Depois de sair da China, o novo chefe do Governo nipónico fará amanhã outra deslocação histórica à Coreia do Sul. Seul, empenhada numa aproximação política à Coreia do Norte, tem também um posição de apaziguamento ainda que já tenha havido posições que calassificam como "intolerável" a concretização de um ensaio nuclear na península.